08 junho 2013

Quero te conhecer - Sorteio!!!


Como prometi ontem, hoje trago mais uma surpresa. Sei que já virou moda - e eu sou uma pessoachataquenãogostadeseguirmoda - mas não consigo pensar em uma forma melhor de agradecer quem me lê. Além disso, não vou mentir, quero conhecer vocês, saber quem são, onde moram, se têm filhos, enfim... Então, teremos sorteio SIM!!!

É claro que vou sortear um livro, mas nossa, gastei um bom tempo pensando qual seria. E foi então que lembrei dos lindos livros de Suzy Lee, principalmente o emocionante Onda. O encontro de uma menina com o mar pela primeira vez. Fico imaginando a primeira vez de alguém diante da imensidão do mar! Fascínio, curiosidade, medo, enfrentamento, susto, alegria, desdem, encantamento, carinho, saudade. Tudo isso dito sem uma palavra, apenas com o traço preciso de Suzy Lee, uma sul coreana pra lá de talentosa. Pelo fascínio que este livro de imagens exerce sobre mim, achei que era perfeito para presentear um leitor, como forma de agradecer a todos vocês que me acompanham aqui.

Onda
ilustrações: Suzy Lee
editora: Cosac Naify

Para participar é muito simples. Basta deixar um comentário NESTE post seguindo as seguintes regras:

    1.      Deixar nome, onde mora e e-mail para contato
    2.      Contar como chegou aqui ao blog (não precisa ser leitor antigo)

Pronto, aí é só torcer para ser sorteado no Random.org e receber em casa um exemplar de Onda.

Não é obrigatório, mas se você tem filhos, ou sobrinhos, ou trabalha com crianças, conta rapidinho, só para entender melhor o que te trouxe aqui. Mas não esqueça, só valem os comentários feitos entre esse momento e a meia-noite do dia 14 de junho, a próxima sexta-feira. O sorteio e sua divulgação será no sábado, 15 de junho.

Diz se não é fácil? E o livro é lindo, muito lindo! E se você tem alguma dúvida do "tanto de lindeza", dá uma olhadinha no vídeo abaixo...



Então boa sorte a todos vocês, e não deixem de participar!

07 junho 2013

Grande Reinauguração!!!



Sabe vontade de botar a boca no mundo, tipo subir em pernas de pau e sair na rua gritando em um megafone (alô Lucas! alô Ivana!)? Pois é, contrariando toda a timidez que me é inerente, estou com essa vontade hoje, dia em que o Cachinhos Leitores completa 2 anos de vida - embora tenha vivido muito mais em meus desejos de concretizá-lo. Já contei aqui que o Cachinhos não foi meu primeiro blog. Já tive outros dois. Não, espera - três. Todos morreram de inanição por absoluta falta de posts. O último acho que mal durou 1 mês. Dois falavam sobre maternidade e um sobre artesanato. Começava feliz da vida, mas a verdade é que me faltava ânimo para continuar. Por isso, quando uma amiga me provocou a voltar a ter um blog, fiquei tão temerosa de me lançar novamente nessa aventura de manter um espaço desse tipo na internet...

De uma coisa eu não tinha dúvidas, se fosse voltar a escrever um blog iria tirar do fundo do baú o meu sonho de escrever sobre literatura infantil. O sonho é antigo, vem do dia em que descobri o querido Gato de Sofá, da Lu Conti. Ainda lembro da primeira coisa que me veio à cabeça naquele momento: putz, como eu não pensei nisso antes?!?!?! Mas a verdade é que eu não me sentia preparada e nem com conhecimento para escrever regularmente sobre livros infantis, e fui guardando esse sonho no cantinho do peito, enquanto o interesse, as pesquisas e leituras dos livros infantis cresciam. Assim, quando a Mari me provocou a voltar a ter um blog já tinha certeza sobre o que seria. Mas será que conseguiria mantê-lo? E se esse tivesse o mesmo destino dos outros? Com alguns medos me rondando criei o blog e mantive o formato padrão do Blogger. O nome já estava escolhido há tempos: Cachinhos Leitores.



Confesso que fiquei meio incomodada de manter aquela cara padrão, tão impessoal, mas a verdade é que não queria investir no blog, como já tinha feito outras vezes, sem saber no que ia dar. Estava tão ressabiada que, mais do que não divulgar, não contei sobre ele para quase ninguém. Aliás, imagino que algumas pessoas próximas a mim fiquem meio tristes por eu nunca ter contado dele – não fiquem, por favor, foi só medo de fazer alarde para algo que depois não tivesse continuidade (além de um tanto de timidez, tenho que admitir). E assim nasceu o Cachinhos Leitores, um espaço para eu falar sobre livros infantis, um sonho se realizando para mim. Demorei um tempo e então contei para Mari e uma outra amiga em comum, e passei muito tempo sem receber a visita de ninguém além delas. Mas a internet, e os sites de busca, têm a magia de aproximar as pessoas com interesses comuns. E assim, recebi um belo dia o aviso do meu primeiro seguidor (seguidora, no caso). Alguém que eu nunca tinha visto, que simplesmente chegou por uma busca, gostou e quis me seguir.

Outros chegaram assim, chegando. Entre os amigos reais, nesses dois anos, além do marido, contei para mais umas 3 ou 4 pessoas. Algumas simplesmente descobriram meu anonimato. Ainda desconfiada, tímida, meio insegura, fui escrevendo e escrevendo. No começo tinha medo de faltarem livros para trazer aqui, porque minha proposta sempre foi muito clara: escrever sobre os livros que conhecemos bem, de preferência que temos em casa. Nunca escrevi sobre um livro lido uma única vez, ou não lido. Se não o tenho em casa, peguei emprestado, de amigos ou de bibliotecas. Ah, mas eles nunca faltaram. Pelo contrário, por minha falta de tempo ou inspiração, as vezes tenho que submeter os coitadinhos a uma fila comprida, que ainda por cima é cheia de “furos” - porque de vez em quando um título me apaixona e passa na frente de outros que estão na espera há meses.

Embora os números do blog continuem extremamente modestos quando comparados com outros blogosfera afora, fico feliz feito passarinho de saber que a maioria que me visita chegou aqui assim, chegando. Achou por acaso numa busca, leu, gostou e foi ficando. Ou viu divulgado no facebook em alguma campanha do Infância Livre de Consumismo que participei e também foi ficando. E assim tem uma galera por aqui. Nunca fomos apresentados, nunca nos falamos, mas o blogger sempre me conta que tem gente no mundo inteiro lendo esse bloguinho que nasceu de forma tão despretensiosa.

Mas deixa eu falar das novidades do blog, que estão me deixando tão feliz! Primeiro a carinha nova dele. Enrolei, enrolei e enrolei para arrumá-lo, mas quando decidi fazer isso não quis nem pensar em outra pessoa que não a querida Lu para dar uma carinha só dele. Essa moça é talentosa demais, e não é só isso! É atenciosa, é sensível e tem um amor pelo que faz que é contagiante. Fiz com ela a ilustração de minha filha para seu aniversário de 5 anos, e desde então me apaixonei por seu trabalho. A leitora cacheada lá de cima, claro, é minha pequena Letícia, que já nem é tão pequena assim. Essa ilustração me emociona muito, por ver minha filha toda vez que olho para ela, pelo carinho com que foi feita, reproduzindo inclusive a estampa do vestido que minha filha usava na foto que mandei de modelo, pelos cachinhos voando e formando o nome do blog, e pelo livro que a pequena tem nas mãos, que inspirou o nome do blog como eu explico aqui, no meu primeiro post. Lu, minha eterna gratidão por tanto carinho em forma de ilustração.



Para fazer jus à ilustração, busquei alguém especial para arrumar o layout, e o destino me trouxe Flávia. Foram alguns meses de namoro até que finalmente tudo conspirou a favor e começamos a pensar o layout, que ficou pronto em menos de 1 mês. Obrigada Flávia, pelo carinho e atenção, e pela paciência com essa anta tecnológica. E eis que hoje, 07 de junho de 2013, 2 anos depois daquele primeiro post, o Cachinhos Leitores tem uma identificação própria, uma cara para chamar de sua!

E mais algumas novidades: o fim do anonimato, que já vinha caindo lentamente há alguns meses. Sou Mirtes Aquino, a mãe da Letícia e a esposa do Thiago (veja mais lá no Sobre os nossos cachinhos – no menu principal). Além disso, criei três categorias para os livros infantis trazidos aqui. O objetivo não é fazer uma classificação definitiva ou precisa, até porque não tenho conhecimento para isso (e acho extremamente temerário tentar fazer algo assim), mas apenas facilitar a busca de livros pelos leitores do blog. Assim, criei as categorias: Preciso que leiam para mim – destinada aos livros que sejam acessíveis aos pequeninos que ainda não começaram a descobrir as letras; Começo a me arriscar na leitura – para os livros que estimulem o processo de letramento ou que possuam textos curtos mais instigantes para incentivar quem começa a se aventurar na leitura; e Já sou um leitor independente – para os livros um pouco mais densos e com temas que interessem aos maiores e que já leiam sozinhos. Basta clicar em qualquer uma delas na lateral direita e ser direcionado para os posts específicos. É claro que estas categorias não são excludentes, e vários livros estão classificados em duas e até nas três categorias. Mas acho que essa divisão facilitará as buscas de quem chega ao blog.


Mas talvez a maior novidade do blog seja o fato de que estou abrindo, pela primeira vez, a possibilidade de falar sobre outros assuntos além da literatura infantil. Não, o blog não será descaracterizado por isso... continuarei tendo como foco a literatura infantil. Mas faço essa mudança porque já senti algumas vezes muita vontade de dividir aqui algo que considero muito interessante e/ou relevante para a infância mas que não é um livro. Já aconteceu com músicas, com filmes, com peças, com brincadeiras... enfim. Aliás, até já aconteceu de trazer algo diferente uma ou outra vez, mas agora, se isso acontecer novamente, há um espaço reservado para cada coisa. Assim, ali no menu principal (horizontal), estão, além do Sobre nossos cachinhos, as sessões: O que os cachinhos leem (com todos os posts sobre livros); O que os cachinhos ouvem (com os posts sobre músicas); O que os cachinhos assistem (com posts sobre filmes) e O que mais os cachinhos curtem (com o que me der na telha – inclusive livros não-infantis). Não tenho dúvidas que os posts destas sessões novas serão raros, e que predominará sempre os de livros infantis. Mas acho que será muito bom ter um cantinho reservado para outros devaneios, mantendo uma certa ordem na casa.



E é isso. Aliás, escrevi demais. Fiquem a vontade para vasculhar e remexer nas nossas novidades. Testem tudo e me contem o que acharam, deem sugestões. Fiz dessa forma pensando em facilitar a vida de quem me lê, então é bom saber se acertei ou não nas escolhas. Ah, e para não jogar todas as novidades de uma vez só, vou deixar vocês descobrindo o novo layout, e amanhã venho com a última novidade!!! Hummm, amanhã eu conto...

04 junho 2013

Não se faz dois anos todo dia!!!



Aparição repentina e rápida para antecipar novidades! Está se aproximando o aniversário de 2 anos do blog - nem dá pra acreditar - e algumas surpresas estão programadas. A primeira vocês já imaginam, claro: uma carinha nova e exclusiva (ah, finalmente um layout para chamar de meu...), que está ficando muito, MUITO linda! Além disso algumas mudanças na estrutura, alguns espaços novos e outras coisinhas.

Mas como acontece quando a filha faz aniversário, estou ficando mais sentimental a medida que se aproxima  a data do seu aniversário, por isso me deu uma vontade louca de vir aqui para agradecer por todos vocês que passam ou já passaram por aqui, que deixaram alguma mensagem ou ficaram no anonimato, que curtiram um post, que aproveitaram uma dica. Escrever no Cachinhos Leitores é uns dos maiores prazeres que tenho hoje, e vocês também são parte disso. 

Aguardem as surpresas!!!

30 maio 2013

O que te faz escolher um livro?

Gabriel, já para o banho!
texto: Ilan Brenman
ilustrações: Silvana Rando
editora: Brinque-Book


Toda semana minha filha traz para casa um livro da escola que ela escolhe livremente. Observando suas escolhas fiquei pensando o que faz cada um escolher um livro. Certamente as ilustrações da capa, assim como seu título, têm grande influência. Uma capa bonita, colorida, e um título interessante ou instigante, atraem imediatamente o interesse. Mas, as capas às vezes nos pregam peças... Já demorei muito tempo para conhecer livros maravilhosos porque suas capas não me atraíram de cara – foi assim com esse e esse.

Mas o que me fez escrever sobre isso é o fato dela escolher com certa frequência livros sobre banho. Como sua “opção de rebeldia”, o banho realmente lhe chama atenção. O último escolhido foi Gabriel, já para o banho, mais um título muito divertido de Ilan Brenman. Como a maioria dos seus livros, esse também foi inspirado numa situação vivenciada pelo autor com suas filhas, situação já vivenciada tantas vezes aqui em casa: gritaria para que ela ENTRE no banho, seguida de gritaria para que ela SAIA do banho. Ahhh, sempre a mesma coisa. Hoje, ela do alto dos seus seis anos e meios, já se intitula uma menina grande, que exige autonomia para tomar banho e lavar os cabelos sozinha, mas continua resistindo na hora de entrar no chuveiro. Às vezes, esquecida de tudo, chora e corre pela casa como uma criancinha pequena... tudo bem, ela ainda pode (diferente de alguns adultos com atitudes infantilizadas que tenho visto por aí).

Quanto aos livros, a escola tem me ajudado a ensinar a ela outras estratégias para escolha de livros: observar o autor, o ilustrador, a coleção ou editora. É muito legal vê-la identificar quem escreveu e ilustrou cada livro e já eleger alguns favoritos, que nem sempre batem com os meus favoritos.

Ah, Gabriel é irmão de Clara, o primeiro livro que minha pequena decorou e passou a “ler” na vida, e um dos que ela mais gostou. E Clara e Gabriel são os nomes dos filhos de amigos queridos nossos. Sempre que vejo seus livros lembro dessa duplinha linda!

07 maio 2013

As muitas formas de contar uma mesma história


As histórias populares têm um fascínio especial. Ninguém sabe ao certo quem as inventou, mas o certo é que, de boca em boca, elas se perpetuam no tempo. Aqui no Brasil temos histórias das boas (com a vantagem de não terem ganhado “versões oficiais” – cof cof cof – da Disney). Lembro que minha mãe me contava a história da grande festa do céu, para a qual só foram convidados bichos que voam. Até hoje lembro dela descrevendo como a cara do sapo se deformou para sempre na queda que levou...

Há algum tempo me dei conta que aqui em casa tínhamos algumas versões dessa história e fiquei encantada com as diferenças e semelhanças delas. A nossa primeira versão foi a do livro Belas Lendas Brasileiras que Letícia ganhou de aniversário há alguns anos. O livro trás 6 histórias do folclore brasileiro, dentre elas a famosa Festa no Céu.

Belas Lendas Brasileiras
reconto: Raquel Teles Yehezkel
ilustrações: Isabela Donato Fernandes
editora: Leitura

Depois ganhamos a divertida versão de Ângela Lago, que apresenta uma tartaruga "rebolante", daquela coleção distribuída por um banco...

A Festa no Céu
reconto e ilustrações: Ângela Lago
editora: Melhoramentos

No ano passado comprei o delicioso box de livros destinados às crianças de Clarice Lispector. São cinco livros, um deles Como nasceram as estrelas - doze lendas brasileiras. São doze lendas, uma para cada mês do ano, contadas de forma sintética com o inconfundível "jeito conversado" de Clarice Lispector. E adivinha qual a história de fevereiro???

Como nasceram as estrelas - doze lendas brasileiras
Alvoroço de festa no céu
reconto: Clarice Lispector
ilustrações: Fernando Lopes
editora: Rocco Jovens Leitores

Então, há algumas semanas, estava numa livraria escolhendo um presente quando me deparei com o livro que trás a versão de Braguinha da tal Festa no Céu. É, Braguinha das machinhas de carnaval. Gente, fiquei apaixonada! Sem tirar o mérito das outras versões, essa é simplesmente encantadora!

Festa no Céu
reconto: Braguinha
ilustrações: Tatiana Paiva
editora: Rocco Pequenos Leitores

Voltei para casa com o livro na mão, e fui atrás de outras versões. Pesquisei um pouco e resolvi também comprar a de Ana Maria Machado - comprei num sebo virtual uma edição antiga, mas a comercializada atualmente é esta:

Festa no Céu
reconto: Ana Maria Machado
ilustrações: Marilda Castanha
editora: FTD

Semana passada fizemos um passeio por todas as versões, contando uma a cada dia na hora de dormir, e então analisando o que elas tinham de semelhante e de diferente. A primeira percepção é de que não há duas versões iguais, e não me refiro ao "pé da letra do texto". 

A história é a mesma: uma festa no céu em que apenas os bichos de asas foram convidados, mas que um bichinho sem asa decide ir dentro da viola do urubu. Mas as diferenças começam já com o personagem principal: para Braguinha, Clarice e Raquel era um sapo o bichinho festeiro. Já para Ana Maria era um jabuti e para Ângela, uma tartaruga. Bom, o violeiro que carrega o pequeno penetra é o mesmo nas seis versões: o danado do urubu, que em algumas fica tirando sarro dos bichos que não têm asas por não poderem ir à festança.

Foi uma delícia identificar outras diferenças. Na maioria das versões, o bichinho intrometido vai e volta da festa na viola do urubu, mas na versão de Ana Maria Machado, o jabuti vai à festa nas costas da garça, que resolveu lhe fazer um favor, mas avisou logo que não iria trazê-lo na volta: "Assim, se eu quiser comer e beber bastante, não tenho que ficar me preocupando com o peso da volta." Já para Braguinha, o danado do sapinho dormiu exausto e acordou no final da festa, quando o urubu já tinha ido embora. O jeito que encontrou para voltar à terra foi pular no trombone do macuco, e despencou lá de cima quando o pássaro percebeu o instrumento entupido "e soprou com tanta força / da bochecha e do pulmão, / que o sapo saiu de dentro / como um tiro de canhão."

Outra diferença interessante é como o penetra é descoberto na viola. Já contei a versão de Braguinha. Para Raquel e Clarice, o urubu viu e percebeu tudo. Já para Ângela, a tartaruga, meio tonta, começou a cantarolar um samba da festa, e para Ana Maria, foi o urubu, que com o peso, começou a suar tanto e deixou tudo tão fedorento, que fez o jabuti espirrar - nessa versão, Deus como castigo, fez o urubu ficar fedido para sempre.

Mas o mais divertido da história é mesmo quando o bichinho despenca pelos ares gritando: Sai da frente, pedra, senão eu te esborracho!!! E como a pedra, claro, não saiu da frente, o coitadinho acaba mesmo esborrachado! Humm, é por isso que o jabuti e a tartaruga têm aquele casco todo remendado, e o sapo é tão feio e disforme, com os olhos esbugalhados e a boca enorme. Tudo por conta da tal festa no céu!

Cinco formas de contar a mesma história, cinco olhares sobre um mesmo conto, que vem sendo contado de mãe/pai pra filhos, de avó/avô pra netos, de tia(o) pra sobrinhos, de boca em boca, desde sabe-se lá quando... Pra terminar, preciso dizer que recomendo todas as versões, cada uma com suas particularidades, mas não posso deixar de destacar a de Braguinha, minha preferida.

Braguinha usa o texto todo rimado, e brinca com o coachar do sapo, que na sua história ensina matemática para os sapinhos na beira do rio assim: "quatro mais quatro, quatro / com mais quatro, quatro. / Tá errado!" As ilustrações de Tatiana Paiva são lindas, e como a festa idealizada por Braguinha é uma festa de São João, é toda cheia de bandeirinhas e balões. Para encerrar de vez este post, vou colocar aqui um trecho do livro, que está também na contra capa dele. É para não deixar dúvidas de como essa versão vale a pena rsrsrs:

"São Pedro mandou avisar
Aos bichos deste sertão
A grande Festa no Céu,
Na noite de São João.

Não deve faltar à mesma
Nenhum bicho voador.
Do Mosquito à Borboleta,
Do Colibri ao Condor.

E, para bicho sem asa
Não fazer vestido à toa,
Manda frisar que a festança
É só pra bicho que voa."

18 abril 2013

Era tempo de caju.

Tempo de Caju
texto: Socorro Acioli
ilustrações: Maurício Negro
editora: Positivo


Estou adiando trazer esse livro aqui por um motivo ridiculamente comum para mim: o considero tão especial que fico esperando uma inspiração que faça jus a sua importância. Ridículo, eu sei... o perfeito é inimigo do bom, já dizem por aí. Mas hoje uma amiga me pediu a indicação de uma lenda indígena para transformá-la numa contação de história, e nada me pareceu mais apropriado do que Tempo de Caju. Dada a proximidade do dia do índio, achei que era o momento certo de trazê-lo ao Cachinhos.

A história de Porã e seu povo é uma das mais bonitas que já li, e a habilidade de Socorro Acioli, cearense como eu, ao recontá-la de forma tão encantadora e sensível é incontestável! Porã é um curumim que ama caju, assim como seu povo, e como boa parte dos cearenses. O Ceará é o maior produtor nacional de caju, e dele faz a cajuína, o refrigerante de caju, os doces (amo o em calda e a rapadura de caju), e até carne vegetariana. O cajueiro dá sombra boa e seus galhos guardam alegres lembranças de infância.

Mas para usufruir de todas da vantagens do caju, é preciso paciência: “os cajueiros passam quase um ano dormindo, sem dar fruto pra ninguém”. Caju é fruto de época, e que época feliz!!! Seus frutos maduros colorem todo o horizonte do sertão, adoçam a boca dos meninos e colocam nódoas em suas roupas. Por isso, quando se quer fazer referência a algo bom mas raro, o cearense diz que só acontece “de caju em caju”. E na tribo de Porã, os índios costumavam contar seus anos de vidas pelas safras de caju que já tinham vivido. Assim, “quando o último caju era colhido, cada índio escolhia uma castanha bem bonita e guardava em uma cabaça secreta, que eles enfeitavam e escondiam como um tesouro. Para cada castanha guardada, mais um ano de vida se contava”.


Quando a tribo de Porã teve que fugir de um povo inimigo, ele guardava, além da sua cabaça - com sete castanhas - a cabaça de seu avô - o sábio Tamandaré, com as 70 castanhas que ele tinha antes de morrer. A história de Porã é uma história de tradição, de amor e dedicação ao seu povo, e de muita coragem. Seu final surpreendente nos traz a doçura da fé nas próprias raízes, naquilo que conhecemos, que acreditamos por nos ter sido passado com amor. Coisas que os índios entendem bem, e que nós, os “civilizados” cada dia esquecemos mais, nos afastamos mais...

Amanhã comemoramos o dia do índio, e fico pensando se estamos preparados para valorizar toda a riqueza cultural, todo respeito pela natureza - inclusive a própria natureza - todo conhecimento acumulado em centenas de gerações que os índios têm. Mas sei que por mais um ano, nos colocaremos em nossas posições de "civilizados",  pintaremos o rosto das crianças e repetiremos que é o dia do índio. Ora, mas antes de nós, todo dia era dia de índio!!!


PS: gostaria ainda de fazer referência às belíssimas ilustrações de Maurício Negro, que tornou a história de Porã ainda mais cativante. Queria também destacar que Tempo de Caju é um dos livros que me explicitam como o setor editorial de nosso país pode ser injusto. Seu texto e ilustrações definitivamente não condizem com a baixa qualidade da sua edição. Todos os dias vemos lindas encadernações, de conteúdo vazio, serem descarregadas em grandes livrarias, e não consigo entender como Tempo de Caju não ganhou o lugar de destaque que merece...

04 abril 2013

A arte de ser diferente - ou os desafios de ser uma menina esquisita!

Lilás
textos: Mary E. Whitcomb
ilustrações: Tara Calahan King
editora: Cosac Naify

Quando ainda não era mãe, sonhava e imaginava o tipo de mãe que eu seria. Mentira, naquela época eu achava que mãe era tudo meio igual mesmo, e só pensava que seria assim, uma "mãe padrão". Bom, não estava de todo errada, mãe é tudo meio igual mesmo, mas logo descobri que algumas coisas nos diferenciam. E logo depois descobri que não, não seria uma "mãe padrão". Não é nada demais, nada que diga que sou uma mãe melhor ou pior do que qualquer outra. É só que eu não consigo parar de pensar, de analisar, de criticar, de questionar. As vezes me vejo como a Mafalda da maternidade.

Porque, como em tudo nesse mundo de meodeus, na maternidade também há conformados com a ordem social, reproduzindo e reproduzindo o quadro que conhecemos - e convenhamos, o que pode ser mais eficiente para reproduzir uma ordem social do que a maternidade? E há os inconformados, ou pelo menos os não conformados com tudo, que questionam, buscam, discutem e têm a coragem de tentar fazer diferente. E há também os filhos dos inconformados (ou pelos menos não conformados com tudo), que... são diferentes. Ou esquisitos, como queira.

Essa não é a única classe de diferentes, claro. Algumas crianças são diferentes simplesmente porque são assim, mesmo tendo "pais padrão". Mas os filhos dos inconformados (ou pelo menos...) não têm muita escolha, mais cedo ou mais tarde alguma "esquisitice" sua irá saltar aos olhos. E é claro que como mãe inconformada (você já sabe o resto...) essas questões me preocupam. Porque, diferente de boa parte dos seus coleguinhas, minha filha não se entupiu de chocolate na páscoa, não usa maquiagem, nem esmalte, nem salto alto, não frequenta fast foods, não tem festas padronizadas, não assiste programas de qualidade duvidosa na TV, nem come na cantina (de qualidade duvidosa) da escola. E é claro que não seguir a manada tem seus ônus e seus bônus.

Ser diferente na infância pode não ser das experiências mais legais, e geralmente o que as crianças querem é "sumir na multidão". Por outro lado, ter acesso a oportunidades exclusivas pode ser das experiências mais legais. Estava pensando sobre isso recentemente, num momento em que estou questionando algumas questões da nova escola e às vezes recebendo olhares de A mãe diferente (ou esquisita, como queira), e minha filha tem manifestado a necessidade de, vez ou outra, simplesmente seguir a manada. E foi então que Lilás veio na mochila da filhota, direto da ciranda da biblioteca. Embora sua capa me seja absolutamente conhecida, nunca o tinha lido, e ele foi uma grata surpresa.

Porque Lilás é uma menina diferente, que presenteia a professora com coisas feitas por ela mesma (ao invés de compradas), come cenouras e outros legumes no lanche e não usa roupa nova simplesmente porque é o primeiro dia de aula. Lilás tem um nome esquisito, coleciona pedras e no seu aniversário, ao invés de contratar mágicos e palhaços, seus pais transformaram seu quarto num castelo medieval! No começo, nenhum dos seus colegas queria ser visto com uma pessoa tão diferente. Mas com o tempo, descobriram que ser diferentes pode ser muito legal, e no último dia de aula, a professora não ganhou nenhum presente comprado. Porque Lilás é diferente. Mas talvez ela não seja TÃO diferente assim.

Confesso, a identificação foi imediata. Acho que Lilás é filha de inconformados, e ela tem se saído muito bem como uma menina diferente. Assim como minha menina, que tem mais livros que brinquedos, não come industrializados no lanche e curte mais inventar arte com uma caixa de leite que brincar com barbies. Mas... tem feito sucesso na escola levando seus livros para serem lidos na sala, sempre recebe pedidos de um pedacinho dos muffins salgados que mamãe faz para ela e adora dividir com os colegas as artes malucas - e nem sempre esteticamente "aceitáveis" - que fazemos juntas.

Além disso, tem descoberto que temos todos nossas esquisitices, e que talvez ser diferente seja algo que nos assemelha mais que nos distancia. Lilás acalmou meu coração, e me lembrou que valorizar o que nos distingue é uma lição importante a ser aprendida na infância.