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05 outubro 2013

Criança, consumismo e troca - parte 2

O giz vermelho
texto: Iris van der Heide
ilustrações: Marije Tolman
tradutora: Monica Stahel
editora: Martins Fontes

"Sara esta aborrecida. Queria desenhar no chão, com giz vermelho, mas a calçada era muito irregular. Todos os seus desenhos davam errado. Já ia jogar o giz fora quando viu Tim do outro lado da rua. Ele estava brincando com suas bolas de gude. "Deve ser divertido", Sara pensou."

É assim que começa O giz vermelho, um livro que conheci numa compra "às cegas" de uma mega promoção em uma loja on line. Havia me apaixonado pela sinopse, que parecia refletir exatamente a ideia da Troca de Brinquedos. E o livro não decepcionou. É que Sara tenta resolver seu tédio propondo a Tim uma troca: seu giz vermelho pelas bolas de gude de Tim. "É um giz mágico. Tudo que você desenha com ele cria vida." E Tim na mesma hora desenhou um dragão - veja a ilustração:

imagem tirada daqui (blog Imensa Vida) 

Pois é, para Tim o giz é mesmo mágico, e seu dragão ganha vida! Mas logo Sara fica insatisfeita com as bolas de gude também - "Não tem graça nenhuma." A solução? Novas trocas! E as bolas de gude sem graça viram pérolas do mar na mão de Sam, e a flauta desafinada, faz todos os ratos da cidade seguirem Ben. Mas Sara continua trocando, porque ela não consegue perceber que o que faz um brinquedo especial não está no brinquedo, mas no significado que damos a ele. O brinquedo sem a pitada da criatividade e da imaginação, não garante diversão alguma. Na verdade, o brinquedo, assim como o livro, é tão somente um instrumento. É o BRINCAR, o SENTIR, o SONHAR e o IMAGINAR que fazem a brincadeira.

No final do livro, e de tantas trocas, adivinha qual o último brinquedo que Sara trocou??? Pois é, o seu giz vermelho, que tinha virado uma amarelinha na mão de Ben. Só então Sara percebe que especial mesmo é brincar junto com seus amigos.

imagem tirada daqui (blog Imensa Vida)

Hoje nós realizamos a terceira Feira de Troca de Brinquedos e Livros de Salvador, e a imensa alegria se repetiu. O Palacete das Artes é um lugar lindo, acolhedor e onde se respira cultura. Novamente, foi simplesmente mágico ver as crianças interagindo, negociando, trocando, sorrindo, brincando, e às vezes chorando. Tudo é aprendizado. Letícia, que nunca tinha tido problemas em suas trocas, hoje chateou-se pela primeira vez e chorou: queria um trenzinho, e quando a troca já estava quase estabelecida, uma outra criança fez uma oferta que agradou mais e levou seu objeto de desejo. Ficou chateada, chorosa, mas logo aceitou que não se pode controlar tudo, e saiu de lá muito feliz com suas trocas.

Para ver mais fotos clique aqui.

E você, já pensou em organizar uma feira de troca? Não precisa ser nada grandioso - basta ver as fotos das feiras de troca entre primos que organizamos na minha família. Então, por que não entre as crianças do prédio? Ou da sala de aula do seu filho? Que tal propor uma feira de troca na escola? Na sua igreja? Entre as crianças que frequentam a pracinha ou o parque? Entre os primos? As possibilidades são infinitas! Cada grupo pode fazer suas próprias regras. O importante é que as crianças estabeleçam o valor de cada brinquedo e livro sem usar a lógica monetária, e tenham liberdade para estabelecer suas negociações. Garanto que será gratificante.


01 setembro 2013

Livro para assistir... ou filme para ler


Kinocaixa - 5 livros de bolso
texto e imagens: Mariana Zanetti
editora: Hedra

O que leva um blog a ficar abandonado por seu dono? Sei que as respostas são múltiplas, mas para mim, ela é geralmente: um post/assunto que engasga. Engasguei com um post que nem sei se ou quando vem pra cá. Não consegui escrevê-lo como tinha planejado e não consegui buscar outro livro/assunto. Pffff... Mas essa não é a única explicação. Algumas coisas roubaram minha atenção, mudanças simples mas intensas alteraram minha rotina, e estou reaprendendo algumas coisas que até pensava que sabia. Algumas decisões foram tomadas diante de tudo, e uma das principais foi: reduzir o tempo em frente às telas. A redução começou recentemente e já estou espantando com o tempo que "ganhei". Apenas uma exceção: meu Cachinhos Leitores. Por isso retorno hoje cheia de gás e livros lindos e interessantes.  

Bom, mas o tal engasgo foi quebrado na última quinta com a chegada de um livro que tinha encomendado há alguns dias e esquentou meu coração de verdade. Conheci o Kinocaixa há uns 2 anos, numa biblioteca pública infantil da minha cidade, e desde então ele entrou na minha lista de comprar. Mas nunca o achava em livrarias, só para encomenda, e o tempo foi passando, e cheguei a esquecer dele. Até que há alguns dias, revisitando minha lista, resolvi fazer uma busca por ele na internet, e percebi que dos meus sites de confiança, apenas um (o da livraria física que tem teatro em todas as suas unidades) ainda tinha o item. Comprei na mesma hora. E ele chegou quinta, inusitado como eu ainda lembrava dele! Uma caixinha pequena com cinco mini-livros, uns mais gordinhos que outros, mas todos guardando surpresas deliciosas: Lá vai o trem, Chuva de Verão, Viagem à Lua, Em São Paulo e Vida Besta.


Mariana Zanetti deu vida aos kinolivros com carimbos, em preto e branco. Os flipbooks contam uma história com suas imagens, e trazem um comentário sobre ela nas páginas de verso. Uma brincadeira deliciosa!

Vida Besta. "Será o tédio dos peixes igual ao tédio da gente?"


Os livros estão no youtube. Este é o meu favorito (uma bicicleta passando calmamente entre o engarrafado e alucinado trânsito de São Paulo) , mas todos os cinco têm vídeos lá.

A minha pequena adorou! Levou para a escola, para a aula de artes, para o play do prédio, e todos adoraram. Quando fui pegá-la na escola as crianças me cercaram: "tia, você comprou onde? Vou pedir a minha mãe para comprar para mim também" rsrsrs Em meio a tanta porcaria que esses pequenos querem imitar e "ter também", fico feliz que a simplicidade criativa e alegre dos kinolivros tenha chamado suas atenções também. Os nossos já estão com as capas bem marcadinhas de tanto uso... fico feliz e vou aprendendo a controlar minha mania de ter livros intactos...

Ah, e estou aprendendo também a controlar meus engasgos de posts. As vezes é porque não consegui tirar aquelas fotos que queria, ou fazer aquela consulta, ou ter aquela inspiração que acho que o livro merece. O último foi por tratar de um fato que ainda não está resolvido para mim. Mas o que preciso aprender é que, independente do motivo, sempre haverá algo especial esperando a vez para desengasgar o blog. E quando mais rápido, melhor...

07 julho 2013

mais Suzy Lee...

Espelho
texto e ilustrações: Suzy Lee
editora: Cosac Naify


Sombra
ilustrações: Suzy Lee
editora: Cosac Naify


Ontem chegou pelo correio o livro que faltava para concluir a trilogia de Suzy Lee aqui em casa - os três títulos lançados no Brasil pela Cosac Naify. Embora valham muito a pena, seus preços são salgados, e eu tive que ter paciência para conseguir oportunidades de preços mais palatáveis e tê-los juntos comigo. Primeiro comprei Onda, depois Espelho, e agora chegou Sombra. Estou numa fase de fascínio com os livros de imagem. Fico encantada com a capacidade que alguns ilustradores têm de expressar sentimentos e situações com seus traços. Eu, que embora tenha algumas habilidades manuais sou um desastre com desenhos, fico babando com quem tem este talento. E talento, Suzy Lee tem de sobra.

O meu predileto é mesmo Onda. Pelo movimento, pelo azul, pelo respeito e admiração que tenho pelo mar, e pela possibilidade de imaginar a primeira vez de alguém diante do mar. Mas os outros também são sensacionais. Em Espelho, a menina depara-se pela primeira vez com seu reflexo no espelho: susto, medo, desconfiança e farra - muita farra - até que o reflexo cria vida própria. Na página do livro na Cosac Naify, além do link para ver a animação do livro, há, no final da página, algumas versões de narração para suas primeiras imagens, feitas pelos alunos da escola Carandá. Achei sensacional!
imagem do livro Espelho do site da Cosac Naify

Sombra traz as surpresas de uma menina descobrindo como sua sombra e a de outros objetos podem ser surpreendentes. Adoro este livro por ele abordar o faz de conta infantil, o que eu não me canso de admirar - sei que já perguntei antes, mas porque mesmo perdemos essa capacidade ao longo da vida? 

imagem do livro Sombra do site da Cosac Naify

E então uma maçã mordida no alto da cabeça transforma-se em uma coroa em sua sombra. Um aspirador de pó e algumas caixas, um elefante. Até que surge um lobo, e o real e as sombras começam a interagir. Não deixem de ver a animação do livro, aqui. Aliás, no ano passado, no festival SESI bonecos do mundo, tivemos a oportunidade de assistir ao lindíssimo espetáculo Sombras de Mão do grupo japonês Kakashi-za, e foi muito emocionando ver o que sombras são capazes de fazer.

Acho que os livros de Suzy Lee extrapolam qualquer tentativa de classificação etária. São indicados para qualquer idade - do bebê ao idoso - para criar e contar histórias, para brincar ou simplesmente para admirar. Agora juntinhos, os meus vão ganhar lugar de destaque em casa, para serem manuseados sempre que os olhos quiserem sonhar...

08 junho 2013

Quero te conhecer - Sorteio!!!


Como prometi ontem, hoje trago mais uma surpresa. Sei que já virou moda - e eu sou uma pessoachataquenãogostadeseguirmoda - mas não consigo pensar em uma forma melhor de agradecer quem me lê. Além disso, não vou mentir, quero conhecer vocês, saber quem são, onde moram, se têm filhos, enfim... Então, teremos sorteio SIM!!!

É claro que vou sortear um livro, mas nossa, gastei um bom tempo pensando qual seria. E foi então que lembrei dos lindos livros de Suzy Lee, principalmente o emocionante Onda. O encontro de uma menina com o mar pela primeira vez. Fico imaginando a primeira vez de alguém diante da imensidão do mar! Fascínio, curiosidade, medo, enfrentamento, susto, alegria, desdem, encantamento, carinho, saudade. Tudo isso dito sem uma palavra, apenas com o traço preciso de Suzy Lee, uma sul coreana pra lá de talentosa. Pelo fascínio que este livro de imagens exerce sobre mim, achei que era perfeito para presentear um leitor, como forma de agradecer a todos vocês que me acompanham aqui.

Onda
ilustrações: Suzy Lee
editora: Cosac Naify

Para participar é muito simples. Basta deixar um comentário NESTE post seguindo as seguintes regras:

    1.      Deixar nome, onde mora e e-mail para contato
    2.      Contar como chegou aqui ao blog (não precisa ser leitor antigo)

Pronto, aí é só torcer para ser sorteado no Random.org e receber em casa um exemplar de Onda.

Não é obrigatório, mas se você tem filhos, ou sobrinhos, ou trabalha com crianças, conta rapidinho, só para entender melhor o que te trouxe aqui. Mas não esqueça, só valem os comentários feitos entre esse momento e a meia-noite do dia 14 de junho, a próxima sexta-feira. O sorteio e sua divulgação será no sábado, 15 de junho.

Diz se não é fácil? E o livro é lindo, muito lindo! E se você tem alguma dúvida do "tanto de lindeza", dá uma olhadinha no vídeo abaixo...



Então boa sorte a todos vocês, e não deixem de participar!

30 maio 2013

O que te faz escolher um livro?

Gabriel, já para o banho!
texto: Ilan Brenman
ilustrações: Silvana Rando
editora: Brinque-Book


Toda semana minha filha traz para casa um livro da escola que ela escolhe livremente. Observando suas escolhas fiquei pensando o que faz cada um escolher um livro. Certamente as ilustrações da capa, assim como seu título, têm grande influência. Uma capa bonita, colorida, e um título interessante ou instigante, atraem imediatamente o interesse. Mas, as capas às vezes nos pregam peças... Já demorei muito tempo para conhecer livros maravilhosos porque suas capas não me atraíram de cara – foi assim com esse e esse.

Mas o que me fez escrever sobre isso é o fato dela escolher com certa frequência livros sobre banho. Como sua “opção de rebeldia”, o banho realmente lhe chama atenção. O último escolhido foi Gabriel, já para o banho, mais um título muito divertido de Ilan Brenman. Como a maioria dos seus livros, esse também foi inspirado numa situação vivenciada pelo autor com suas filhas, situação já vivenciada tantas vezes aqui em casa: gritaria para que ela ENTRE no banho, seguida de gritaria para que ela SAIA do banho. Ahhh, sempre a mesma coisa. Hoje, ela do alto dos seus seis anos e meios, já se intitula uma menina grande, que exige autonomia para tomar banho e lavar os cabelos sozinha, mas continua resistindo na hora de entrar no chuveiro. Às vezes, esquecida de tudo, chora e corre pela casa como uma criancinha pequena... tudo bem, ela ainda pode (diferente de alguns adultos com atitudes infantilizadas que tenho visto por aí).

Quanto aos livros, a escola tem me ajudado a ensinar a ela outras estratégias para escolha de livros: observar o autor, o ilustrador, a coleção ou editora. É muito legal vê-la identificar quem escreveu e ilustrou cada livro e já eleger alguns favoritos, que nem sempre batem com os meus favoritos.

Ah, Gabriel é irmão de Clara, o primeiro livro que minha pequena decorou e passou a “ler” na vida, e um dos que ela mais gostou. E Clara e Gabriel são os nomes dos filhos de amigos queridos nossos. Sempre que vejo seus livros lembro dessa duplinha linda!

21 março 2013

Tudo tem seu tempo...

Max
textos e ilustrações: Bob Graham
tradução: Monica Stahel
editora: Martins Fontes


2013 tem trazido muitas mudanças aqui em casa, principalmente para a minha filhota. A primeira grande mudança foi a ida para uma escola nova – uma escola grande, com todas as vantagens e desvantagens envolvidas. Tem piscina e aula de natação, parques grandes, quadra, e muito espaço. Também tem salas cheias e funcionário que não têm muito tempo para tratar o individual. Depois de cinco anos em uma pequena escola de educação infantil, com salas de no máximo 10 alunos (a maior que ela teve tinha 9 alunos), onde todo mundo se conhecia pelo nome, foi um baque grande para ela (e suspeito, maior ainda para mim).

Mas uma das coisas que mais gostei na nova escola foi da Biblioteca. Uma biblioteca grande, com muitas estantes de livros, mesas, cadeiras e espaço para interação. Além disso, é programada, uma vez por semana, uma ida à biblioteca, onde as crianças leem, ouvem leituras e as comentam. Cada criança tem uma carteirinha, a data da devolução do livro fica marcada na fichinha presa à ele e eles podem pegar os livros quando quiserem (desde que não tenham débitos, claro). Eu que fui uma rata da biblioteca da minha escola, fico muito empolgada com isso!!!

O livro da semana passada, em especial, me chamou atenção - aliás, chamou muita atenção da filha também, que ficou super eufórica com ele. Max é um superbebê, filho dos super-heróis Capitão Relâmpago e Madame Raio, que mora numa casa amarela em forma de raio. Max é um garoto muito esperto e amado, mas ele tem um problema: não sabe voar como os outros superbebês! “Todos faziam o menino pular, saltar e o lançavam ao vento, como uma pena... mas Max não voava. Devagarinho ele flutuava de volta para o chão.” Seu pai queria que ele brincasse com o passarinho, mas Max preferia brincar com o cachorro.  O avô lembrava que na idade de Max já deixava marcas das mãozinhas no lustre da sala. Na escola, Max não era um super-herói voador, ele era um menino comum, de capa e máscara...

Mas um dia, algo inusitado ocorreu! Uma catástrofe estava prestes a acontecer, e Max reage... voando. Pronto, Max agora sabe voar. Mas ele continua sendo um menino comum. Bem, não muito comum. Como diz seu amigo Abrão: “Todo mundo é diferente em alguma coisa, não é mesmo?” Max é um pequeno herói capaz de proezas silenciosas, e que não gosta que sua mãe o abrace em público.

Max me fez lembrar de uma conversa que tive com a filha há algumas semanas, quando seu segundo dente amoleceu. Com o primeiro, eu tentei convencê-la a arrancá-lo, mas ela preferiu esperar que ele caísse sozinho. Agoniada (como uma boa nordestina) com seu segundo dente mole, que aliás está molíssimo, tentei convencê-la a arrancá-lo. Ela se negou e argumentou assim: "Mamãe, todos os dentes têm sua hora de cair. E eu quero que meu dente caia na hora DELE".

Mais uma lição (re)aprendida com minha pequena. Tudo tem mesmo sua hora. Como os superbebês, que têm a hora certa de aprender a voar, e os dentes, que têm a hora certa de cair. Só queria entender porque insistimos tanto em acelerar os processos, e querer que o que não está em sua hora aconteça. Pffff!!! Às vezes fico cansada disso!

Continuo num processo de recomeço, esperando que os posts aconteçam no tempo DELES! rsrs

31 janeiro 2013

Soltando pum...

Quem soltou o Pum?
textos: Blandina Franco
ilustrações: José Carlos Lollo
editora: Companhia das Letrinhas 

Soltei o Pum na escola!
textos: Blandina Franco
ilustrações: José Carlos Lollo
editora: Companhia das Letrinhas 

O Pum anda fazendo tanto sucesso, que deve ser novidade para muito poucos a existência desses dois títulos editados pela Companhia das Letrinhas. Não é para menos, pum, cocô, xixi e outros temas escatológicos têm mesmo lugar de destaque para chamar atenção e provocar risadas entre os menores. E a dupla (a mesma de A menina que falava bordado) Blandina Franco e José Carlos Lollo soube explorar muito bem esse tema.

Pum é um cachorro (embora isso não seja dito explicitamente em momento algum) que detesta ficar preso, e está sempre dando um jeito de escapar. Ah, mas quando escapa sempre causa confusão. O seu dono acaba sempre levando bronca dos adultos, porque adulto não gosta de pum solto - menos a tia Clotilde, que solta o pum em todo lugar. Já deu para perceber como o livro é divertido e agrada em cheio as crianças, né?



Depois de Quem soltou o Pum? foi lançado Soltei o pum na escola! quando o menino leva seu cachorrinho para o Mês dos Animais na sua escola. Nem preciso dizer que o Pum escapou lá também gerando uma grande confusão. Até a diretora deixou o Pum escapar no meio do pátio e todo mundo morreu de rir! Mas ela e a tia Clotilde (lembra da tia Clotilde?) se deram super bem, e só falavam como o Pum é legal. O que mais gostei foi do final deste segundo livro, quando o menino descobre que o papai também tem medo de levar bronca da mamãe quando deixa o Pum escapar (algo familiar...). Ora, ele achava que adultos podiam soltar o Pum quando quisessem.

Ah, Quem soltou o Pum? foi o primeiro e-book da Companhia das Letrinhas, e posso dizer que foi uma ótima escolha... Para terminar queria deixar esse videozinho do lançamento do livro... genial!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=3zOxzTlQTzE

sorry! Sabe-se lá porque cargas d'água, não consegui anexar o vídeo pelo youtube...

PS: Esse começo de ano tem sido estranho, muito estranho, e sobrecarregado. Tenho mil posts na cabeça, e 2 mil planos para o novo lay... mas teremos que esperar, todos. Pelo menos até depois do carnaval, quando volto de viagem. Esperem... Confiem... eu volto, ah se volto...

bjs carnavalescos...

17 novembro 2012

E quem tem medo do Rato Mau???

O filho do Grúfalo
texto: Júlia 
ilustrações: Axel Scheffr
editora: Brinque-Book

Postagem rapidinha só para falar que O Filho do Grúfalo é mesmo uma excelente continuação de O Grúfalo. Sim, achei importante dizer, já que continuações de livros infantis (e livros de outras categorias, e filmes, e peças teatrais, e discos...) nem sempre conseguem acompanhar o talento e bom gosto do primeiro. Mais que isso, queria dizer que trata-se realmente de uma continuação, e não apenas de uma outra história sobre o mesmo tema. Desta vez, o filho do Grúfalo decide aventurar-se na floresta mesmo contra a proibição de seu pai, que teme o terrível Rato Mau, que ele conheceu anos atrás. Da mesma forma que o ratinho no primeiro livro criou o temível Grúfalo, é o Grúfalo quem agora cria o temível Rato Mau, baseado nas suas lembranças - lembranças cheias de medo e temor. E o pequeno Grúfalo, cheio de coragem, parte em busca do tal Rato Mau. Tudo bem, o ratinho é esperto, e mesmo não sendo terrível nem temível, mais uma vez consegue enganar um Grúfalo.

Chegou pela ciranda de livros da escola da filha há algumas semanas, e hoje o Disney Júnior passou os dois filmes que recontam os dois livros. Delícia!

06 novembro 2012

Perdidos em Paris


Paris y es-tu?
textos e ilustrações: Masumi
editora: Parigramme

Ando tão enrolada ultimamente que fico assustada quando percebo que deixei de fazer coisas importantes. Como diz uma amiga, estou no modo “gincana” – o problema é que estou nele há tempo demais... preciso mesmo desacelerar e deixar de lado algumas coisas (Foco! Foco!). Por isso não sei como ficará o Cachinhos até o final do ano, talvez com posts mais esporádicos. Mas a boa notícia é que tenho novidades para 2013! Não será nada grandioso, mas finalmente vou fazer a personalização que este blog há tanto tempo merece. A primeira parte já está pronta, e garanto que está linda demais. Mas os outros detalhes só ficarão prontos em janeiro mesmo. Enquanto isso, vamos nos encontrando nesse espaço ainda impessoal, mas que já nos acolheu tantas vezes, não é? Estou bastante empolgada com as ideias que tenho tido para o Cachinhos, e acho que vocês irão gostar bastante.

Bom, mas uma das coisas importantes que deixei de fazer foi trazer aqui os outros livros que adquiri na viagem à Europa. Trouxe dois dos livros de Portugal e o da Eslovênia, prometi trazer os outros... e nada. Esqueci completamente. Mas na semana passada fiz um e-mail para uma amiga, que planeja uma ida à Paris com as filhas, com umas dicas do que funcionou lá com a minha filha, e só então lembrei deste livro tão divertido que a pequena adora folhear na hora de dormir (principalmente quando não quer dormir).



Nós compramos Paris y es-tu? na lojinha de souvenir da lindíssima Saint Chapelle, e foi sua lembrança de Paris – em cada cidade que íamos ela tinha direito de escolher uma lembrança para levar. Estava à venda também sua versão em inglês, mas é claro que preferimos em francês. A proposta do livro é super interessante: um tour por Paris a procura do pequeno parisiense Théo, que está à procura de seu cachorrinho Potchi, que por sua vez persegue um balão amarelo de gás. Todas as páginas são ilustradas com cenas de Paris, como a Tour Eiffel et Champs de Mars, Montmartre e Parvis de Notre Dame, e no meio das ilustrações estão Théo, com seu lencinho vermelho amarrado no pescoço, Potchi e seu balãozinho amarelo, e você deve encontrá-los, no melhor estilo Onde está Wally? Além disso, para cada paisagem há um pequeno texto falando sobre o ponto turístico e revelando detalhes da capital francesa. Um deleite para apaixonados por Paris de qualquer idade, e para apaixonados por ilustrações também – é fascinante ficar observando as microcenas que compõem o todo de cada página.



Minha pequena adora este livro, e sempre me pede para lê-lo (!?!?!). E eu atendo, embora nós duas saibamos que tudo que faço é desenrolar um “embromation” com as poucas palavras que conheço em francês. Tudo bem, procurar Théo, Potchi e o balão é mesmo seu maior interesse. Além do mais, é muito bom para mim exercitar um pouco a capacidade do “faz de conta” que misteriosamente perdemos ao longo da vida...



PS1: é possível comprar Paris y es-tu? pela Fnac: aqui
PS2: estou tentando incluir fotos do interior dos livros nos posts, mas peço paciência com essa pessoa que ainda não descobriu uma forma razoável de fazer isto...

29 outubro 2012

Iguais, mas diferentes!

Sai pra lá!
texto e ilustrações: Ana Terra
Editora: Larousse Júnior

Ainda refletindo sobre a discriminação e a reprodução de estereótipos, lembrei desse livro super fofo e divertido que acho que alcança bem as crianças a partir dos 3 anos. Sai pra lá! conta a história de quatro ovelhas: Branca, Albina, Neve e Clara. Quatro ovelhas fofinhas e branquinhas, que adoravam exibir sua bela lã. Mas um dia... ah, um dia Clara sumiu! Mas não sumiu por muito tempo, não. Logo ela reapareceu... sem sua lã. Pois é, Clara estava rosada e magrela, provocando muitas risadas das amigas.




E não demorou muito para Albina também sumir, seguida de Neve e Branca. Ops! Atrás da moita surgiram três ovelhas magrelas e rosadas, e desta vez, Clara sorriu baixinho: "agora todas estavam iguais a ela". IGUAIS? Apenas agora, sem lã, foi possível descobrir que Neve tem uma manchinha na pele, Albina tem perna fina, Branca usa calcinha de elanca e Clara... ah, Clara é a única ovelha que sabe cantar! A gaúcha Ana Terra é uma ilustradora encantadora (veja aqui), e tem se mostrado também uma excelente autora. As ilustrações do livro utilizam várias texturas e elementos, como fotografias, rendas, filós, tecidos e papéis reciclados, além de serem absolutamente cute! :)


Uma história simples que destaca como, por mais parecido que pareçamos, todos temos nossas particularidades, nossas características que nos fazem únicos. Um assunto que merece ser levado às crianças, já que na maioria das vezes elas (em especial as tímidas) preferem mesmo realçar o que as iguala e disfarçar o que as diferencia. E isso me lembra uma historinha recente nossa: na semana passada minha filha foi convidada para uma festa de halloween no nosso prédio. Perguntei a ela que fantasia ela gostaria de usar, torcendo que escolhesse de bruxa, pois já tinha alguns elementos em casa. Ela escolheu fantasiar-se de fantasma, provavelmente incentivada por este livro que ela adora. Perguntei se ela não preferia a fantasia de bruxa, numa última tentativa de facilitar a minha vida, mas ela foi taxativa, queria ir de fantasma. Ok! Pesquisa na internet, visita armarinhos, e passei a manhã de sábado produzindo com tnt branco a tal fantasia de fantasma - tarefa que eu adorei, na verdade... rsrs À noite, fiz uma maquiagem com muita sombra branca em seu rosto, e entre risadas e gritinhos, a mandei feliz para a festa com o pai.

Menos de 10 minutos depois voltam os dois, ela chorosa, ele irritado. Resumo da ópera: 95% das meninas da festa estavam vestidas de bruxa, e ela era o único fantasma, chamando atenção de todos. Choramingando me disse que não queria mais aquela fantasia, que não tinha gostado de ser fantasma e queria uma fantasia de bruxa. Nas entrelinhas descobri que um menino olhou espantado quando ela chegou e deve ter feito algum comentário maldoso que ela não quis me contar. Conversa daqui, conversa de lá, fui tentando fazê-la perceber primeiro que seu problema não era a fantasia, que obviamente ela tinha adorado. Depois disse que sua fantasia era sensacional, porque era exclusiva... "mamãe, o que é exclusiva?". O final da história é uma fantasminha camarada que curtiu muito sua primeira festa de halloween e chegou em casa depois das 22h descalça, suada e exausta!

Sempre curti e incentivei a autenticidade dela, que sempre mostrou pouco interesse e preocupação em "seguir a manada". Mas de uns meses para cá isso tem começado a mudar. Ela ainda é criativa e espontânea, mas tem se mostrado em alguns momentos influenciável - como quando pede para assistir Carrossel, claramente para acompanhar o "papo na escola". Espero que ela não demore muito a perceber que há muitas vantagens em ser diferente, em ser exclusiva. Mesmo que de vez em quando desejemos apenas "sumir" na multidão...

25 outubro 2012

Das surpresas que a simplicidade pode esconder...

Aperte Aqui
texto e ilustrações: Hervé Tullet
editora: Ática

Ontem à tarde comecei a escrever um post sobre um livro que nós gostamos muito, com o intuito de colocá-lo hoje no ar... mas ele vai ter que esperar um pouco mais. É que à noite fui à livraria pegar um livro que comprei pela internet e claro, aproveitei para dar uma olhada nas prateleiras da sessão infantil. Já tinha visto Aperte Aqui algumas vezes, inclusive na seleção 2012 dos 30 melhores livros infantis da Crescer, mas só ontem resolvi folheá-lo. Sua capa predominantemente branca, com três bolinhas de cores diferentes, não é mesmo das mais instigantes. Além disso, sempre julguei que fosse direcionado a crianças muito pequenas, daqueles livros bobinhos que ensinam cores e formas – quem disse que não há preconceito literário e que estou imune a ele?

Mas enfim peguei o livro e fui ficando mais e mais surpresa a cada virada de página. Ele é muito, muito bom! Divertido, estimulante e com um projeto gráfico lindo. E de uma simplicidade que chega a ser desconcertante que um livro tão bom seja tão simples rsrsrs É realmente um livro para crianças pequenas (indicação a partir de 2 anos segundo a Crescer), mas será que crianças maiores reagiriam bem a ele? Testei na hora. Chamei minha filha (quase 6 anos), sentamos em um cantinho e o entreguei pedindo que ela lesse suas frases simples. Foi delicioso perceber que ela entrou na brincadeira imediatamente, já na primeira página, que apresenta uma bolinha amarela e diz “Aperte a bola amarela e vire a página”. A pequena apertou e virou, continuando com a brincadeira. E ela ria e ria, enquanto obedecia às ordens de “clicar”, sacudir, virar para a esquerda, virar para a direita, soprar, bater palmas. Fico com os dedos coçando para contar mais sobre ele aqui, mas não vou estragar a surpresa para vocês.

Absolutamente interativo, ele apresenta novas possibilidades para os livros em plena era digital, onde as crianças estão tendo acesso cada vez mais cedo à internet, jogos eletrônicos, aplicativos em celulares, tablets e toda sorte de brinquedos. Aliás, hoje, falando empolgada dele para meu marido, disse exatamente isso, que achava que sua proposta era mostrar que é possível aos livros permitirem interação, aventura e surpresa tanto quanto os aplicativos eletrônicos. Para mim até mais, pois um leitor tem muito mais espaço para imaginar e criar que um usuário digital, ou não é?

Ainda é preciso dizer que sua impressão é muito bem cuidada, com capa dura e papel fino, mas resistente, e que Hervé Tullet é francês, artista plástico e autor de vários livros infantis de sucesso – mas este é o seu primeiro livro lançado no Brasil. Recomendadíssimo! Fico pensando nas crianças que conheço que certamente o curtiriam, principalmente aquelas que andam valorizando demais brincadeiras eletrônicas... e sei que ele será uma ótima opção de futuros presentes. Presente para crianças de todas as idades... inclusive da minha rsrs

11 outubro 2012

Compartilhando brincadeiras e uma chapeuzinho vermelho

Uma Chapeuzinho Vermelho
texto e ilustrações: Marjolaine Leray
editora: Companhia das Letrinhas

O post de hoje tenta atender a um convite feito pelo Movimento Infância Livre de Consumismo, que neste dia das crianças está promovendo uma série de ações e reflexões sobre a questão comercial e o consumismo desta data. Nesse contexto foi lançada uma proposta de reflexão coletiva sobre a experiência do brincar criativo em família, através da blogagem de fotos, textos, desenhos, ou tudo junto, com o tema "Dia das Crianças: Compartilhe brincadeiras". O objetivo é mostrar como brincar e ser feliz não tem nada a ver com consumismo, e que o DIA DAS CRIANÇAS vai ser muito melhor aproveitado pelos homenageados se for comemorado com diversão em família do que com brinquedos caros.

Fiquei cá com meus botões pensando que brincadeira poderia colocar aqui, que, claro, não fugisse ao tema do blog, e imediatamente lembrei do teatrinho de Chapeuzinho Vermelho que fizemos aqui em casa há umas 3 semanas. Não é primeira vez que esta mesma parede recebe um cenário para um teatrinho de papel. A primeira vez foi com Pedro e o Lobo, e foi devidamente registrado aqui. Mas desta vez foi diferente, pois a ideia foi totalmente dela, enquanto da outra fui eu quem a convidou a montar a brincadeira. Além disso, a minha participação na criação dos desenhos e dos personagens foi quase nula, e foi a pequena quem bolou praticamente tudo. Inclusive o caçador que usa uma serra elétrica ao invés da espingarda (!!!).



Uma brincadeira extremamente simples, mas muito divertida. Uma diversão que começa com a escolha da história, o planejamento do teatrinho, a confecção do cenário e dos personagens, e a apresentação no final. Aliás, estou adorando essa fase da minha pequena, de maior autonomia para inventar, idealizar e executar brincadeiras assim, simples e criativas, usando apenas os elementos que já temos a mão. Eu topo quase tudo que ela propõe, e incentivo todas as suas manifestações de arte, mesmo que o desenho fique meio desproporcional, ou que eu saiba que se eu mesma fizesse o resultado seria melhor. Aliás, o resultado final é o que menos importa nesse processo...

E isto me lembra um livro e um blog que eu adoro. Conheci Uma Chapeuzinho Vermelho no blog Kids indoors, da super talentosa Gisele Barcellos, e o comprei em seguida. Ela é mãe e foi arte-educadora, e no seu blog dá várias dicas de atividades lúdicas e artísticas para as crianças, além de ótimas dicas de livros. O que eu mais gosto no seu blog é exatamente esta liberdade que ela dá às crianças para criarem e se manifestarem através das artes, e no post de Uma Chapeuzinho Vermelho a brincadeira que ela criou com os filhos foi reproduzir os personagens do livro, que são apenas o lobo e a Chapeuzinho, com arames coloridos.

Tudo a ver com a proposta de Majorlaine Leray, que conta a manjada - mas irresistível - história da menina encapuzada de um jeito muito especial: ela descreve apenas o encontro dos dois principais personagens, que são ilustrados somente com as cores preta, para o lobo, e vermelha, para a Chapeuzinho, com traços simples, como rabiscos infantis. Os diálogos também são simples, com letra cursiva e seguindo as cores dos personagens - preta para o lobo e vermelha para a Chapeuzinho - e o desenrolar da história é totalmente surpreendente. Ah, porque essa Chapeuzinho, de bobinha não tem nada, e ao invés de tremer de medo diante do temível lobo que a queria devorar, saca uma ideia simples e consegue enganar o bichão... tolinho! A proposta do livro é mesmo ser pouco convencional, substituindo ilustrações fofinhas por rabiscos aparentemente aleatórios, mas que expressam muito bem os personagens, e dando a história, por todos decorada, novas possibilidades. E aí, quantas vezes tolhemos a imaginação e manifestações das crianças por serem "pouco convencionais"?

Desconstruir histórias tradicionais, encontrar novas formas de expressão que fogem do padrão estético considerado "ideal", é uma das forma que as crianças encontram de ir além do que já conhecem, e como elas aprendem com isso. Pense nisso antes de sacar o cartão de crédito neste dia das crianças para comprar para suas crianças brinquedos caros e que apenas lhe dão fórmulas prontas de diversão. A infância é capaz de muito mais...

15 agosto 2012

Quem tem medo do Grúfalo?

O Grúfalo
texto: Julia Donaldson
tradução: Gilda de Aquino
ilustrações: Alex Scheffler
editora: Brinque-Book

Por "razões misteriosas", eu ainda não conhecia o tão comentado O Grúfalo. Nunca o encontrava na livraria, e quando tive uma oportunidade de tê-lo nas mãos, não tive tempo de lê-lo. Enfim, o tempo foi passando e eu fui até esquecendo dele. Mas a vida nos prepara surpresas, e na semana passada a escola de minha filha propôs um amigo secreto de livros entre as crianças para comemorar o dia do estudante. Para minha felicidade, amigo secreto de livro é uma prática comum por lá, e já foi usada em outros momentos, como dia das crianças e encerramento do ano letivo. Escolhi um livro que adoro (e que preciso trazer aqui) para a pequena levar, e na volta ela trazia cheia de alegria O Grúfalo na mochila.

A história é uma adaptação de uma lenda folclórica, segundo a própria autora, que em sua adaptação criou o Grúfalo, um bicho que tem presas incríveis, uma verruga cabeluda na ponta do nariz e espinhos pelas costas espetados. Mas ele existe de verdade ou é apenas uma invenção do pequeno e astuto ratinho, que quer meter medo e escapar de seus predadores? O texto é todo rimado e muito divertido, ao contar como um ratinho, tão pequeno e indefeso, consegue enganar uma coruja, uma raposa, uma cobra, e até o terrível Grúfalo - todos querendo comê-lo.

É muito legal também para mostrar como algumas reputações são criadas em cima de simples lendas e suposições. E cá entre nós, não são apenas as crianças que acreditam em reputações irreais, não é? (risos). Agora estou curiosa para conhecer O Filho do Grúfalo, continuação deste primeiro, que já está na quarentena...

17 julho 2012

Medo de fantasmaaaa...

A casa assombrada
texto e ilustrações: Kazuno Kohara
tradutor: Heloísa Prieto
editora: Cosac Naify

Dentre os medos que povoam a mente da minha pequena, está o de fantasmas. E este é especial, porque ela jura que já esteve cara a cara com um. Tudo começou quando ela tinha 2 anos e estávamos dormindo na casa de meu pai. Como ela acordava no meio da noite com uma certa frequência, e eu não estava muito habituada ao quarto, achei melhor deixar a luz do banheiro acessa, o que iluminava um pouco o ambiente. E ela acordou de noite chorando muito, nos abraçava, apertava e chorava. No dia seguinte afirmava com todas as letras: tinha um fantasma no quarto, ela o tinha visto. Depois de muita conversa e especulações, descobrimos o que parece o mais provável: ela assustou-se com a sombra de um cabide que estava com algumas bolsas penduradas. Realmente, a sua sombra formada pela luz do banheiro, parecia fantasmagórica. E mesmo depois de tanto tempo, ela continua afirmando que os fantasmas existem, e que é na escuridão que aparecem.

A Casa Assombrada traz uma forma muito divertida de brincar e desmistificar o esteriótipo que foi criado para a ideia de fantasmas. O livro fala de uma menina que mudou-se para uma casa antiga e enorme, uma casa assombrada. Ah, mas a menina não era uma menina qualquer, ela era uma bruxa. Uma bruxa que ao encontrar com os fantasmas da casa, ao invés de ficar assustada e sair correndo, começou uma caçada a eles e ficou super feliz com isso. Ela e seu gatinho trabalharam duro e conseguiram capturar uma porção de fantasmas, mas depois... ficaram sem saber o que fazer com eles. As ilustrações do livro são todas nas cores laranja e preto, o que dá todo o tom halloween, além do branco dos fantasmas, que aqui são aqueles típicos, como lençóis brancos com olhos e boca. Não demorou e a bruxinha começou a inventar várias formas de usar seus fantasmas... não vou contar tudo, mas posso garantir que no final, ninguém vai ficar com medo daqueles fantasmas!

O nonsense torna a história divertida e faz a criança por uns instantes rir dos seus medos. Eu aproveitei o momento e propus à minha pequena que fizéssemos fantasmas de papel manteiga, imitando os do livro. Os olhos e a boca foram feitos com canetinha preta. Assim desenhamos e cortamos vários, de diferentes tamanhos, e fomos formando famílias e colando com durex nas paredes do seu quarto. Foi uma brincadeira bem divertida. Infelizmente fizemos isso há alguns meses e não consigo mais localizar as fotos que tiramos na ocasião... acho que vou propor isso novamente a ela, e então trago novas fotos aqui :)

17 junho 2012

Minha Cachinhos... Leitora

História em 3 atos
texto: Bartolomeu Campos de Queirós
ilustrações: André Neves
editora: Global

Não vou dizer que não aguardei esse dia. Claro que o aguardei. Para uma apaixonada por livros infantis, ver a filha lendo sozinha seus próprios livros é mesmo algo muito especial. Mas não coloquei ansiedade demasiada nessa minha espera, foi apenas uma espera... Na verdade, eu tinha alguns medos: primeiro que ela queimasse etapas. Queria garantir a ela o lúdico, o estímulo a criatividade e imaginação, a formação de  vínculos afetivos saudáveis - coisas bem mais importante para crianças até 6 anos do que saber ler e escrever. Além disso, sinto às vezes uma pressão muito forte para que as crianças sejam precoces, e suspeito que isso desencadeie muitos problemas de aprendizagem. Tem muita criança que aprende a ler aos 4 anos e até antes disso, mas tem muita criança que faz 6, 7 anos e ainda não despertou o interesse pela leitura (até sabe as letras e sílabas, mas não se interessa por sair lendo) – e aí, ela está atrasada? Eu acho que não. Além do mais, se todas as crianças fosse iguais e despertassem para a leitura na mesma idade, a precocidade perderia o sentido, não é?

Por medo de colocar os carros na frente dos bois e pressão onde não cabe, marquei um horário com a pedagoga da escola quando aos 3 anos começaram a ensinar-lhe as letras. Queria entender como tudo aconteceria, e achava tudo prematuro demais. Conversei também com minha irmã, que é pedagoga, e um argumento de ambas me acalmou: ela entrou na escola cedo demais (aos 4 meses, quando terminou minha licença-maternidade), e deixá-la 5 anos pintando e desenhando iria entediá-la, deixando-a sem desafios. Se tem uma coisa que considero importante para um ser em formação é a presença de desafios (proporcionais a sua capacidade emocional e cognitiva, claro). Confio muito na escola que ela estuda e fui acompanhando tudo de perto. Percebi que eles estavam apresentando as informações para as crianças, mas respeitando o tempo de cada uma. A prova é que ainda no Grupo 4 (crianças com 4 anos) dois alunos já liam perfeitamente e outros ainda não conseguiam identificar sílabas, e isso nunca foi um problema na sala. Fui ficando mais confiante, até porque a alfabetização de hoje é bem diferente da minha época.

Aliás, foi fascinante perceber como hoje as crianças decifram a leitura. Tá, fascinante num segundo momento, no primeiro foi meio assustador. Com a cabeça formatada pelo aprendizado das famílias das letras e o "Ivo viu a uva", tomei um susto quando minha pequena começou a ter contato com todas as letras praticamente juntas, num enfoque muito mais do contexto de cada situação do que das letras que ela já conhecia. Passado o susto tudo começou a fazer muito mais sentido. Vinha da escola uma receita de biscoito para leitura compartilhada, ou um caça-palavras com palavras sobre algum assunto abordado em sala, com letras, acentos e sílabas ainda não dominadas, mas num contexto muito mais próximo dela, e as informações iam sendo absorvidas com mais naturalidade. E eu ficava pensando na Cachinhos que fui um dia lendo o livro da escola e pensando "mas afinal que é Ivo? E onde estavam as uvas?". Tudo começou com o seu nome e o nome dos coleguinhas da sala, depois o nome da professora, dos pais e dos pais dos coleguinhas. Aí o J era o J de João, o L de Letícia, o G de Guilherme... achava lindo quando ela via uma letra na rua e dizia "olha mamãe, é o M de Maria, como a mãe de Duda". Foi delicioso e serviu para aproximar mais os pais da turminha.

Já no grupo 5, ela conhecia bem as letras e conseguia ler algumas sílabas, mas não parecia ter nenhuma motivação para ler palavras ou frases. Como diz uma amiga minha, não tinha dado o click. Ela sempre adorou os livros, nos pedia para ler, mas nunca tentava ler nem uma palavrinha que fosse. Por isso eu imaginava que ainda fosse demorar bastante. Mas eu acho que é mesmo um click, como se eles já soubessem mas ainda não tivessem percebido isso. Aliás, mais que isso, não tivessem mesmo interesse em perceber. O que leva uma criança a querer ler? Acho que a resposta muda de uma criança para outra, e é bobagem querer encontrar uma resposta única. Lá em casa o interesse surgiu de um dia para o outro, nem sei dizer direito como. Uma noite deitamos em minha cama com um livro nas mãos. Comecei a ler e ela foi tentando ler algumas palavras. Então eu parava e esperava. Ela parou com vergonha e eu falei que ela poderia ler mesmo errando, porque ela estava aprendendo e isso era normal. Ela leu algumas e foi dormir. Na manhã seguinte, um sábado, a levei para cortar o cabelo e depois para almoçar na casa da avó. Fomos a pé ao salão e ela foi tentando ler tudo que via no caminho, da placa da padaria a tampa do bueiro. Do carro, no trajeto para a casa da minha sogra, pedia “mamãe, vai mais devagar, estou lendo o nome daquele ônibus”. Eu tomava susto a cada palavra nova! Há 24 horas ela não se interessava para ler nada.

Isso aconteceu há alguns meses, e depois desse "pulo inicial" ela tem absorvido um pouquinho mais da nossa língua escrita a cada dia. Enganchava-se com o N e M nasalizadores, e sempre queria formar uma sílaba com a vogal anterior (anjo ela lia NAjo, bambu lia BAMAbu...), também pegou aos poucos quando o L tem som de U, e quando o S tem som de Z rsrs Estou curtindo muito esse processo, que ainda promete muitas aventuras...

Mas hoje trago essa notícia com o primeiro livro lido inteiramente pela minha pequena cacheada.  Eu nunca esqueci o primeiro livro que li sozinha na vida. Foi realmente marcante, e como disse no meu primeiro post, nunca consegui parar. Queria que fosse especial para ela também. Por isso, aproveitei que no último feriado viajamos para o aniversário de meu sobrinho e o voo atrasou, e puxei de sua mochila História em 3 atos, do maravilhoso Bartolomeu Campos de Queirós. Repetindo o que meu pai fez há muitos anos atrás, disse que ela o leria sozinha, e para meu espanto ela simplesmente começou a ler, sem demonstrar os medos e insegurancas que eu tive há algumas décadas atrás.

Em Historia em 3 atos, Bartolomeu Campos de Queirós faz uma deliciosa brincadeira com letras, sílabas e palavras, e minha pequena riu alto com o gato que num susto vira ato, e o pato que num susto vira ato, engolem as letras erradas e num instante o pato esta miando no alto da casa e o gato nadando no rio. Ah, e ainda tem um rato, que num susto transforma o gato em grato e o pato em prato. Não vou contar mais, apenas que no final do livro temos um rato que é gato, um rato que é pato e um ato que é rato... kkkkk Depois a brincadeira foi trocar a primeira letra dos nomes dos nossos conhecidos, transformando João em Poão e Pedro em Jedro, Letícia em Metícia e Matheus em Latheus. Muita risada e a leitura ficou leve e fluida como deve ser.

Minha filha lendo um livro de Bartô ilustrado por André Neves... espero que tenha sido inesquecível para ela também...

05 junho 2012

Os bichinhos de estimação...

FLOP
A história de um peixinho japonês na China
ilustrações: Laurent Cardon
editora: Panda Books

Morei em casa durante toda a vida de solteira, e quando criança tivemos cachorro, gato, pato, galinha, preá (porquinho da índia), pombo (meu pai fez casinha de madeira no alto da casa, jogávamos milho duas vezes por dia no quintal, e em pouco tempo eram centenas), peixe, passarinho e coelho. Não todos juntos, claro, mas em épocas diferentes. Sendo assim, sempre achei muito normal ter animais de estimação, embora, confesso, nunca tenha morrido de amores por eles.

Mas nas voltas que a vida dá, casei-me com um homem que não suporta ver passarinho na gaiola e bichinho preso, e sempre argumentava comigo que não era justo privar o voo a um pássaro só pelo prazer do humano de ouvir seu canto quando quisesse. No começo achei seu discurso meio exagerado, meio politicamente correto demais, mas fui percebendo que ele tinha toda razão - e hoje, principalmente depois de conhecer o IMPERDÍVEL Para criar passarinho, chego a ser ainda mais radical que ele. É que hoje para mim é muito absurdo que um animal seja privado da sua liberdade, do seu habitat, apenas para o prazer humano de ter um "bichinho de estimação". Acho tão louco que o homem tenha alterado, inclusive geneticamente, espécies a ponto delas não conseguirem mais viver sem o homem. Não sabem buscar comida, nem se proteger do frio, nem seguir seus instintos!!! São "domesticados" e agora vivem para serem os "melhores amigos do homem".

Bom, essa é apenas a minha opinião, mas quero deixar claro que respeito muito quem pensa diferente e curte a ideia de ter um animal de estimação. Tenho inúmeros amigos e familiares que amam seus bichinhos e se dedicam verdadeiramente a eles. É uma outra forma de pensar e sinceramente eu respeito quem pensa assim - embora não consiga entender, vou confessar... Não dá pra aguentar é maus tratos, mas esse é outro papo...

Fato é que virei mãe, minha menina tá crescendo, e como esperado, pedindo um bichinho de estimação. Pediu cachorro, hamster, calopsita... eu tentei desconversar, argumentar, negociar, mas vira e mexe o assunto volta a tona - e eu balancei! É minha filha pedindo, estudos indicando as vantagens do convívio das crianças com os animais, amigos testemunhando da alegria de ter um bichinho... realmente balancei! Conversamos longamente e ela conseguiu me convencer a ter um pequeno aquário, desses com um peixinho beta. É, achei que era "aceitável", os peixinhos já estão na loja para venda mesmo, e não sofreriam tanto por estarem em um apartamento que fica vazio de humanos a maior parte do dia. Chegamos a visitar uma loja, mas ela não vendia nada de peixes. Marquei uma ida a Ceasinha para o final de semana seguinte, onde eu sabia, havia venda de tudo para criar peixinhos.

E foi então que uma ida despretensiosa a livraria me apresentou Flop. Eu folheava suas páginas e mal acreditava no que via... era incrível tê-lo conhecido exatamente naquela semana. Conversei com meu marido que estava comigo na livraria e saí de lá decidida a quebrar o acordo feito com a filha - mais um item para a minha  longa lista de vacilos maternos. 

Flop é um livro lindo, de uma sensibilidade impressionante, que conta apenas com imagens a história de um peixinho japonês comprado por um menininho em uma loja de animais. O que mais me tocou em Flop é que ele deixa sim a mensagem de que os animais devem ficar livres, mas não usando apenas argumentos negativos em relação aos animais de estimação. Adoro livros que tratam as crianças como seres inteligentes e críticos, capazes de perceber que tudo tem dois lados... É que peixe e menino se tornam logo grandes amigos e se divertem muito juntos, deixando muito claro a grande afeição e cuidado que o garoto tem por seu bichinho, e o quanto este é bem tratado e feliz ao seu lado. Mas a verdade é que o peixinho foi da loja para o aquário solitário, e sequer sabe que existem outras possibilidades para sua vida. E as coisas seguem assim até o dia em que o peixinho descobre que poderia ser mais livre e feliz vivendo com outros peixes...

O final do livro é lindo, e reflete o verdadeiro amor que o menino tinha por seu bichinho, um amor capaz de entender que a liberdade e felicidade do outro é muito mais importante que o nosso prazer egoísta. E é incrível como as crianças conseguem acompanham toda a história sem o uso de texto, percebendo com facilidade as nuances e mudanças da trama. Minha pequena entendeu e me contou tudo direitinho, mas quando percebeu minha real intenção... chorou, argumentou, chantageou. Fui sincera e disse que tinha concordado com o aquário mas depois percebi que não era legal que um peixinho que podia ter muito mais espaço ficasse preso em um aquário tão pequenino, sem sua família, sem nenhum outro animal para conviver. Combinei que poderíamos ir sempre ao parque de Pituaçu e ao dique do Tororó alimentar os peixinhos na lagoa (o que já tínhamos feito várias vezes) e que quando ela crescer e começar a tomar suas próprias decisões ela poderia escolher ter um bichinho de estimação, mas que mamãe e papai não concordavam em ter bichinhos em nossa casa. Ah, papo difícil, viu? Mas ela se aquietou, e quase não fala do assunto - pelo menos por enquanto.

PS1: não sei se agi certo ou não, mas agi como meu coração pediu. Acredito que essa é sempre a melhor opção.

PS2: aproveitei a nossa visita ao lindo Oceanário de Lisboa para conversar mais um pouco com ela sobre o assunto... aquele é sem dúvidas o maior aquário que já vimos, mas o mar... ah, o mar é imensidão...

cara a cara com uma arraia no Oceanário de Lisboa

PS3: dei Flop de presente para uma menininha linda e o danadinho fez um sucesso danado em outras bandas...

29 maio 2012

Meu dia especial!

Nasci em maio, e simplesmente amo minha data de aniversário. Foi nesse dia, há muitos anos atrás, que uma senhora apareceu a três pastoreszinhos em Fátima, Portugal - e na minha cidade natal este é realmente um dia muito especial. Foi também nesse dia, há mais tempo ainda, que a princesa Isabel assinou a lei áurea, e desde que entendi o que significa abolição da escravatura, fiquei ainda mais orgulhosa da data. Mas depois de virar mãe a data do meu aniversário ganhou cores ainda mais vivas: é que vez ou outra esse é também o dia das mães! Foi assim no meu primeiro dia das mãe, e foi assim esse ano também. Coincidência ou não, dos meus 6 dias das mães, foram esses dois os mais especiais.

Bom, e aí tenho que contar o motivo do meu sumiço. Fizemos uma viagem em família, só os três. Viajamos juntos desde que a Cachinhos era bem pequena, mas essa viagem foi diferente por ter sido a mais longa e para o destino mais distante. Foram 23 dias na Europa, numa viagem calma onde buscamos viver com tranquilidade e qualidade cada destino que passamos - poucos destinos. E em cada lugar que passei, busquei pelos livros infantis, e o retorno foi maravilhoso!

Os dois livros que trago hoje foram presentes de aniversário/dia das mães, e chegaram de formas muito especiais. Antes de viajar, descobri na net uma livraria infantil linda na nossa primeira parada: Lisboa. A Cabeçudos fica no Parque das Nações, e depois da visita ao Oceanário pegamos o teleférico que nos deixou a poucos metros dela. Infelizmente a certa anestesia que me toma nesses momentos me fez esquecer de tirar fotos da loja, que é mesmo linda, cheia de espaços para os pequenos interagirem com os livros e brinquedos educativos.

Meu objetivo era comprar um livro de um escritor português, que não fosse publicado no Brasil e que fosse tradicional por lá. Depois de me perder entre os livros, pedi ajuda a vendedora que muito solícita e amável me deu várias dicas e sugestões. Enquanto isso, minha pequena foi descobrindo alguns livros nas prateleiras ao seu alcance e aproveitando o espaço da livraria.  Bom, não consegui escolher um, mas dois livros, e quando a chamei para ir embora, depois de pagar os livros, ela correu até mim com um livro na mão e disse: "mamãe, eu quero levar esse". Sem nem olhar para o livro respondi que já tinha comprado dois ótimos, e ela respondeu "mas eu quero comprar esse para você, para te dar de presente do dia das mães". Ah, não precisa dizer o quanto fiquei emocionada quando finalmente vi o livro, né?

A Mãe e Eu
texto: Maria Teresa Maia Gonzalez
ilustrações: Carla Nazareth
editora: Paulinas

A Mãe e Eu é um dos volumes da coleção "A minha família e eu" da editora Paulinas. Eu confesso que sempre fico com o pé atrás com essas coleções, pois geralmente preocupam-se muito com uma mensagem a ser passada, mas descuidam do texto e quase sempre o conjunto sai ruim e piegas. Mas não é o caso de A Mãe e Eu, que já começa atingindo em cheio meu coração materno:

"Toda a gente precisa de uma Mãe! A Mãe, tal como o Pai, é uma das pessoas mais importantes do Mundo!"

O texto é bem cuidado, e sai apresentando aquelas coisas que as mães fazem, como brincar com os filhos mesmo cansadas e dar um beijinho para passar a dor. As ilustrações são lindas e bem criativas, casando super bem com o texto. Uma das partes que mais gosto diz:

"Quando a Mãe está triste, o dia fica frio, escuro e feio... mas, quando a Mãe está contente, o Sol entra em casa mesmo com as janelas todas fechadas!"

Como mãe e como filha, eu concordo com isso. Foi realmente um presente muito especial!

Já há poucos dias do dia das mães, estávamos passeando no centro de Ljubljana, capital da Slovênia, quando encontramos uma livraria super charmosa e eu, claro, corri para a seção infantil. Estava tentando escolher um bom livro, mesmo sem conseguir ler nada que tinha neles, quando meu marido, que olhava outra prateleira falou "vamos levar esse". Ah, aquele pelo menos eu conseguia ler o título Hvala ti, Mami (Obrigado Mamãe). Eu comecei a argumentar que haviam outros lindos e tal, quando ele disse "mas é para você, para o dia das mães", e eu larguei todos os outros.

Hvala ti, mami
texto e ilustrações: Jenny Kempe
editora: Mladinska Knjiga

Bom, meu esloveno é simplesmente inexistente, mas consegui que uma amiga o traduzisse para mim e adorei o texto, que traz vários motivos para um filho agradecer a sua mãe. Algo como: obrigada por tudo que você me ensina, por sua dedicação e apoio e por acreditar em mim, desculpe pelas minhas explosões e obrigada porque posso confiar em ti, com ilustrações do jeito que gosto - poucas cores, poucos traços e muito sentimento.




Coloquei algumas páginas que encontrei na net, para vocês verem como suas ilustrações são fofas e valem a pena mesmo que o texto seja ilegível rsrs Sei que o translate.google  não é confiável, mas acho que a primeira diz "obrigada porque posso confiar em ti" e a segunda algo como "Obrigada por todos os sacrifícios e apoio, por sua força (ou poder) e por confiar em mim" - help, Paloma! Fiz alguma bobagem?

Mas a página que mais gosto não tem imagem disponível na rede (e eu não consigo fotografar legal) e diz simplesmente:  "Obrigada por me deixar ir" com a imagem do pinguimzinho se afastando com uma trouxinha pendurada enquanto a "Mami" dá tchau com uma lágrima no rosto. Tem maior prova do amor de mãe do que deixar um filho ir? Eu que moro em outro estado há mais de uma década acho que não...

E foi assim que eu comprei meus presentes de aniversário/dia das mães rsrsrs E eles viraram os presentes mais especiais do mundo!