20 agosto 2012

Descobrindo o poder das letras...

De letra em letra
texto: Bartolomeu Campos de Queirós
ilustrações: Elisabeth Teixeira
editora: Moderna 


O Batalhão das Letras
texto: Mário Quintana
ilustrações: Rosinha
editora: Globo


Palavras, muitas palavras...
texto: Ruth Rocha
ilustrações: Cláudio Martins
editora: Quinteto Editorial

Já contei uma vez aqui que a Cachinhos começou a conhecer as letras através da primeira letra do seu nome e dos seus colegas, depois da professora, pais, pais dos colegas, outros colegas, e em pouco tempo toda a turminha conhecia todas as letras e sabia associá-las a palavras que iniciassem com elas. Por isso sempre me atraíram os livros que usam como base as letras do alfabeto, como o Boa Noite, Noé, que já trouxe aqui. Hoje resolvi trazer outros livros que usam o mesmo artifício: desfilar, letra a letra, várias possibilidades para o nosso abecedário. Para os que estão aprendendo a usar as danadinhas, posso dizer que é sucesso garantido, afinal, estou falando de textos de Bartolomeu Campos de Queirós, Mário Quintana e Ruth Rocha. E ilustrações de Elisabeth Teixeira, Rosinha e Cláudio Martins. 

Os livros são divertidos e vão mostrando como as letras já estão no nosso dia-a-dia, mesmo que não nos demos conta. De letra em letra me chama muita atenção, porque o pequeno texto dedicado a cada letra, que sempre começa com um nome próprio, usa apenas palavras iniciadas com a letra em questão - o que de cara dá um bom jogo com os pequenos leitores. No D ele diz:

com D
Daniel desenha dragão, dinossauro, dromedário.
No diário de Daniel
os dentes do dragão
devoram o dinossauro
e dominam o dromedário.

e no Z:

com Z
Zaíra zela zebra, zebu, zangão
no zoológico de Zaíra
a zebra zanza,
o zebu é zonzo
e o zangão é zangado.

Todo o texto usa letras de forma, o que facilita sua identificação pelos pequenos.

Com um texto mais informal e divertido, Mário Quintana, no seu Batalhão das Letras, também dedica um poeminha para cada letra, e garante bons sorrisos. Sobre o O ele fala:

Outras letras dizem tudo.
Mas o O nos desconcerta.
Parece meio abobalhado:
Sempre está de boca aberta...

e sobre o G:

O G é letra importante,
como assim logo se vê:
com um G se escreve GLOBO
e o globo GIRA com G.

O terceiro livro também é delicioso. Ruth Rocha para cada letra trás um tipo de texto diferente, às vezes um poema, às vezes um trava língua, às vezes uma listagem de palavras iniciadas com aquela letra. Às vezes ela se demora, brincando com uma letra:


A letra E se usa assim:
Às vezes no começo,
Às vezes no meio,
Às vezes no fim.
Com E no começo
Se escreve Endereço.
Com E no meio
Se escreve fEio.
E com E no fim?
Se escreve pÉ, bonÉ, cafÉ.
Se escreve filÉ, sapÉ, marÉ.
Se escreve ChipanzÉ,
E até buscapÉ.


Às vezes ela não precisa de muito para dizer o que quer:

N
de Nada.

Existem outros excelentes livros com esta temática, mas estes são os que temos e usamos. Acho que são ótimas dicas para trabalhar com as criança em fase de alfabetização, ou mesmo as que ainda estão começando a entender a existência das letras. E vocês, têm sugestões de livros para esta fase? Conta aí...

15 agosto 2012

Quem tem medo do Grúfalo?

O Grúfalo
texto: Julia Donaldson
tradução: Gilda de Aquino
ilustrações: Alex Scheffler
editora: Brinque-Book

Por "razões misteriosas", eu ainda não conhecia o tão comentado O Grúfalo. Nunca o encontrava na livraria, e quando tive uma oportunidade de tê-lo nas mãos, não tive tempo de lê-lo. Enfim, o tempo foi passando e eu fui até esquecendo dele. Mas a vida nos prepara surpresas, e na semana passada a escola de minha filha propôs um amigo secreto de livros entre as crianças para comemorar o dia do estudante. Para minha felicidade, amigo secreto de livro é uma prática comum por lá, e já foi usada em outros momentos, como dia das crianças e encerramento do ano letivo. Escolhi um livro que adoro (e que preciso trazer aqui) para a pequena levar, e na volta ela trazia cheia de alegria O Grúfalo na mochila.

A história é uma adaptação de uma lenda folclórica, segundo a própria autora, que em sua adaptação criou o Grúfalo, um bicho que tem presas incríveis, uma verruga cabeluda na ponta do nariz e espinhos pelas costas espetados. Mas ele existe de verdade ou é apenas uma invenção do pequeno e astuto ratinho, que quer meter medo e escapar de seus predadores? O texto é todo rimado e muito divertido, ao contar como um ratinho, tão pequeno e indefeso, consegue enganar uma coruja, uma raposa, uma cobra, e até o terrível Grúfalo - todos querendo comê-lo.

É muito legal também para mostrar como algumas reputações são criadas em cima de simples lendas e suposições. E cá entre nós, não são apenas as crianças que acreditam em reputações irreais, não é? (risos). Agora estou curiosa para conhecer O Filho do Grúfalo, continuação deste primeiro, que já está na quarentena...

03 agosto 2012

Da arte de criar um filho


Mamãe Zangada
texto e ilustrações: Jutta Bauer
editora: Cosac Naify

Eu sempre tenho uma lista considerável de livros “a comprar”, quase sempre uma lista crescente, já que minha restrição orçamentária não permite que os títulos saiam da lista com a mesma freqüência que entram. A maioria dos livros que trago aqui ficou em quarentena nessa tal listagem, alguns por mais outros por menos tempo, mas com o livro de hoje foi diferente. É que Mamãe Zangada não chegou a fazer parte da lista, embora eu o conheça há bastante tempo.

Eu não lembro exatamente onde soube de sua existência, mas sei que foi com a resenha que Lu Conti fez que tratei de conhecê-lo. E ele foi perturbador naquele momento. Como apresentá-lo a minha filha, então com uns 2 aninhos? E aí preciso dizer o quanto gosto dos livros de Jutta Bauer, ilustradora e escritora alemã, que produz livros assim, perturbadores, reflexivos, questionadores. Daquele jeito que eu gosto: traços simples, poucas palavras e muitos significados. Achei melhor esquecer a história do dia que mamãe pingüim grita tanto com seu filhote que o pequeno se despedaça. O livro fala do impacto que as “explosões maternas” causam nas crianças. O volume da voz, a acidez das palavras, a irracionalidade das acusações e a agressão das ameaças. O pequeno se despedaça, e na metáfora produzida por Jutta, o bico do pingüim filho vai parar nas montanhas, suas asas na selva, seu corpo afunda no mar, e suas patas chegam ao deserto, correndo sem rumo. Ele não pode falar, nem gritar, nem voar... Mas a mamãe procura o filho em todos os lugares, até encontrar, juntar e costurar, ela própria, cada um dos pedacinho separado... para então lhe pedir desculpas.

Naquele momento eu não conseguia me imaginar entregando aquele livro à minha filha, assumindo as limitações e falhas maternas, até porque eu me considerava uma mãe bastante paciente e controlada... E o tempo passou, e a filha cresceu, e a mãe foi se envolvendo com muita coisa extra-maternidade e os dilemas mãe e filha foram mudando. E eu me vi cada dia trabalhando mais, me estressando mais, me ausentando mais, fisicamente ou não, do seu dia a dia. E fui ficando menos paciente e menos controlada. Todo mãe explode  vez ou outra – ou deveria, afinal o que não se extravasa vira doença, e não há nada mais triste do que uma mãe ausente por motivos assim – mas eu sentia que estava explodindo demais, e as explosões estavam pesadas demais, e isso me incomodava enormemente.

Resolvi parar e reavaliar tudo. Meu trabalho me absorve bastante, mas eu gosto de trabalhar, então eu precisava arrumar as coisas para que cada uma ocupe o espaço que lhe cabe. Fiz uns ajustes nos horários e estabeleci algumas coisas: meus finais de semana são para mim e minha família, reduzi consideravelmente meu tempo na internet e as noites são novamente para olhar suas atividades da escola, fazer uma comidinha gostosa para ela, acompanhar suas brincadeiras e colocá-la para dormir. Parece bobagem, mas as coisas estavam realmente emboladas: a noite eu ficava na internet e não acompanhava o que ela fazia, e ela acabava ficando na televisão até muito tarde, e dava trabalho para dormir, e muito mais para acordar. E eu? Explodia. E depois morria de culpa. O tal ciclo vicioso em ação. Ainda quero mudar algumas coisas, mas dá para perceber que consegui dar uma quebrada no tal ciclo. Chego em casa mais tranqüila, coloco ela para fazer a atividade e acompanho tudo enquanto preparo algo para comer - um balcão liga a cozinha à sala - comemos e ficamos juntas até a hora de colocá-la para dormir, cedo. Com isso ela tem acordado cedo e nossos conflitos foram reduzidos. Ahhh, mas eu ainda estouro de vez em quando, e ela não se cansa de me testar. Tudo bem, é importante para nós duas que os conflitos aconteçam, desde que estejam envoltos em muito respeito e amor.

E foi nesse momento que lembrei novamente de Mamãe Zangada, e pude vê-lo com outros olhos. O livro explicita algo que às vezes queremos deixar esquecido: o impacto devastador que nossas palavras, gestos, atos impulsivos podem ter sobre nossos filhos. Faz a mãe pensar, refletir, reavaliar, e isso é sempre bom. Mas faz bem para os filhos também. Entreguei-o a minha pequena numa forma silenciosa de dizer: “mamãe nem sempre é legal com você, às vezes é injusta e te machuca. Eu sei disso e estou tentando mudar, mas eu nunca vou te deixar despedaçada, eu vou sempre juntar e costurar seus pedaços para te deixar inteira novamente, como você merece.” Não é fácil, mas criar filhos não é mesmo algo fácil de ser feito. E desta arte, eu sou eterna aprendiz.

30 julho 2012

É preciso ser valente...

Valente
Disney-Pixar

Hoje não trago um livro, mas trago um filme e um conto. Trago também minhas reflexões sobre ser mulher e ser mãe, sobre ser criança e ser filha nos tempos de hoje, onde as meninas vivem embaladas pelo encanto das princesas Disney. Assisti Valente, filme que estava louca para assistir desde que vi seu trailer pela primeira vez. Putz, uma princesa com esvoaçantes e cacheados cabelos vermelhos, que luta pelo direito de não aceitar que outros escolham o seu destino. Fiquei empolgadíssima. 


Mas o filme me surpreendeu, e foi além da previsível rebeldia contra as tradições sociais, trazendo além dos conflitos da princesa e filha Merida, os conflitos da rainha e mãe Elinor. E nos retratos destas duas mulheres, mãe e filha, é impossível não se identificar, com uma, outra, ou ambas (como aconteceu comigo). A dificuldade de diálogo, as divergências de interesses que nos distanciam, o autismo social que não nos deixa perceber o que o outro deseja e precisa, a ideia de que os problemas se resolvem se o outro mudar... Eu, que não sou muito fã das princesas Disney, mas confiro tudo por ser aficionada por filmes de animação, tenho que tirar o chapéu para essa produção da Disney-Pixar, por seu roteiro inteligente, cheio de sutilezas e nuances, carregado de verdades muitas vezes ocultas.


Não vou aprofundar na questão das princesas Disney porque outros já fizeram isso com bem mais propriedade. Mas queria refletir um pouco sobre como nossas meninas estão imersas num mundo onde as referências são princesas indefesas e obedientes. Das camisetas às mochilas, das festas de aniversários às fantasias para brincadeiras de faz de conta, as referências são as princesas Disney, e as mais clássicas e mais submissas são também as mais badaladas, principalmente Branca de Neve, Cinderela e Aurora. Depois destas, as princesas têm se mostrado ora questionadoras, ora desafiadoras, ora reflexivas, buscando impor mais seu ponto de vista e batalhar pelo que acreditam. Entretanto, todas inseridas em uma realidade machista onde a solução vem da ação de um homem, seja defendendo-as, seja consentindo com elas. Mas Merida vai além, inclusive na absoluta “falta de realeza”. Seu conflito é com outra mulher, tão diferente e tão parecida com ela. E a solução não vem da defesa ou do consentimento de um homem, mas da união dessas duas forças femininas.


Pesquisei um pouco na net sobre o assunto, e além de alguns textos e comentários bastante interessantes (aqui, aqui e aqui), cheguei a esse sensacional conto de Ruth Rocha. De uma princesa que não quer esperar seu destino bater a porta, mas quer correr o mundo atrás dele. Porque só os meninos podem fazer isso?

Não vou copiar ele aqui porque fica muito grande, mas não deixe de ler: 

Minha menina depois do filme me disse que achou Merida muito desobediente, que nem parecia uma princesa de verdade... Perguntei se ela preferia ser Merida ou Cinderela, e ela nem pestanejou ao responder o nome da princesa que nunca batalhou por seus sonhos, embora os tivesse, e foi resgatada por um príncipe que se apaixonou por ela baseado na única coisa que tivera contato: sua beleza física. Levei um susto a princípio. Afinal, o que estamos fazendo com nossas meninas? Mas minha pequena só tem 5 anos, e por mais que eu não estimule, sofre muita influência das histórias das doces e angelicais princesas Disney. Sou uma defensora das histórias clássicas e sei o quanto é importante que nossas crianças tenham acesso ao mundo de fantasia que elas nos reportam, mas não nego que torço que daqui uns anos nenhuma menina de sua idade duvide que ser perfeita e esperar quieta um príncipe salvador é algo chato demais para ser desejado.

Bom, segundos depois ela pegou papel e lápis e se desenhou com seus cachos muito soltos, como a desobediente Merida. Sorri por dentro, mas meu lado Elinor tremeu. Ahhh, quando ela descobrir o poder que tem... 

21 julho 2012

Minha Cachinhos... Autora!!!

Hoje vou pedir licença a vocês, meus queridos leitores, para excepcionalmente fazer uma explícita sessão "babação materna". Eu sei que foge um pouco da proposta do blog, mas foi irresistível. Além do mais, o blog também tem como proposta falar sobre nossas experiências e vivências, e no fim das contas, o motivo da babação tem tudo a ver com literatura infantil. 

Os Monstros
textos e ilustrações: Letícia Xavier
editora: Cachinhos Leitores

Imaginam minha alegria quando minha pequena cacheada chegou quarta-feira da escola dizendo que um coleguinha havia feito com sua mãe um livro, e ela queria fazer um também? Peguei papel, ela pegou suas canetinhas, e em poucos minutos as ilustrações estavam prontas. Ela então me contou a história, mas já  estava na hora de dormir, e tivemos que esperar para a noite seguinte. Ela queria ir ditando e eu escrevendo, como seu coleguinha havia feito, mas eu sugeri que ela mesma escrevesse - depois de uma certa resistência ela concordou. A história e os textos foram todos criados por ela sozinha, mas eu a ajudei com algumas palavras, por sua solicitação. Fiz como me orientaram em sua escola: deixei ela escrever livremente, mas quando ela me perguntava se algo estava certo eu apontava erros, se houvessem. 


"Era uma vez 3 monstros" 

"Eles encontraram 2 meninas para jogar bola" 

"Mas não deu, porque choveu" 

"Mas o sol apareceu"


Reparem nas carinhas de tristeza das crianças e dos monstros quando chove, e de alegria quando para de chover. Quando me contou a história pela primeira vez, ela fazia referência a estes sentimentos (ficaram triste.../ficaram felizes...), mas na hora de escrever bateu uma certa preguicinha, e saiu assim, com o texto mais enxuto mesmo - tudo bem, as ilustrações deixam os sentimentos dos personagens bem claros :)

Depois das ilustrações e textos prontos, ela numerou as páginas e fez a capa. Eu corri para fotografar, e depois grampeei e passei durex imitando uma lombada, coloquei em um classificador plástico e o demos como pronto. Ela leu para mim antes de dormir e levou na sexta-feira para a escola, feliz da vida. Eu, claro, fiquei de cá estourando de orgulho. Nesse momento só consigo pensar que não existe nada na vida mais difícil e mais prazeroso do que criar um filho...

Ah, pois é, o nome da Cachinhos é Letícia! Mas acho que vou continuar chamando ela de Cachinhos por aqui. Porque, né? Já encorporou... 

17 julho 2012

Medo de fantasmaaaa...

A casa assombrada
texto e ilustrações: Kazuno Kohara
tradutor: Heloísa Prieto
editora: Cosac Naify

Dentre os medos que povoam a mente da minha pequena, está o de fantasmas. E este é especial, porque ela jura que já esteve cara a cara com um. Tudo começou quando ela tinha 2 anos e estávamos dormindo na casa de meu pai. Como ela acordava no meio da noite com uma certa frequência, e eu não estava muito habituada ao quarto, achei melhor deixar a luz do banheiro acessa, o que iluminava um pouco o ambiente. E ela acordou de noite chorando muito, nos abraçava, apertava e chorava. No dia seguinte afirmava com todas as letras: tinha um fantasma no quarto, ela o tinha visto. Depois de muita conversa e especulações, descobrimos o que parece o mais provável: ela assustou-se com a sombra de um cabide que estava com algumas bolsas penduradas. Realmente, a sua sombra formada pela luz do banheiro, parecia fantasmagórica. E mesmo depois de tanto tempo, ela continua afirmando que os fantasmas existem, e que é na escuridão que aparecem.

A Casa Assombrada traz uma forma muito divertida de brincar e desmistificar o esteriótipo que foi criado para a ideia de fantasmas. O livro fala de uma menina que mudou-se para uma casa antiga e enorme, uma casa assombrada. Ah, mas a menina não era uma menina qualquer, ela era uma bruxa. Uma bruxa que ao encontrar com os fantasmas da casa, ao invés de ficar assustada e sair correndo, começou uma caçada a eles e ficou super feliz com isso. Ela e seu gatinho trabalharam duro e conseguiram capturar uma porção de fantasmas, mas depois... ficaram sem saber o que fazer com eles. As ilustrações do livro são todas nas cores laranja e preto, o que dá todo o tom halloween, além do branco dos fantasmas, que aqui são aqueles típicos, como lençóis brancos com olhos e boca. Não demorou e a bruxinha começou a inventar várias formas de usar seus fantasmas... não vou contar tudo, mas posso garantir que no final, ninguém vai ficar com medo daqueles fantasmas!

O nonsense torna a história divertida e faz a criança por uns instantes rir dos seus medos. Eu aproveitei o momento e propus à minha pequena que fizéssemos fantasmas de papel manteiga, imitando os do livro. Os olhos e a boca foram feitos com canetinha preta. Assim desenhamos e cortamos vários, de diferentes tamanhos, e fomos formando famílias e colando com durex nas paredes do seu quarto. Foi uma brincadeira bem divertida. Infelizmente fizemos isso há alguns meses e não consigo mais localizar as fotos que tiramos na ocasião... acho que vou propor isso novamente a ela, e então trago novas fotos aqui :)

11 julho 2012

Formiguinhas leitoras

Formigas
texto: Elaine Pasquali Cavion
ilustrações: André Neves
editora: Paulus

Conheci Formigas por indicação dos Roedores de Livro. A resenha era tão tentadora que só sosseguei quando o tive nas mãos. Na época, a filha de uma grande amiga estava iniciando suas leituras individuais e eu achei que aquele livro era perfeito para ela. Outros pequenos leitores ganharam o livro das minhas mãos depois desta primeira vez, e eu guardei um exemplar para minha pequena, mas queria que fosse neste contexto, no início das suas leituras individuais. Bom, o dia chegou, e eu fiquei muito feliz de partilhar com minha filha essa pérola que descobri aqui na net.

No livro, centenas de formigas estão em sua fila indiana seguindo pelo gramado a procura de comida para abastecer o formigueiro. Obedientes e concentradas, elas seguem sem levantar o olhar ou desviar o caminho traçado pela formiga-líder. Todas menos uma, uma pequena formiguinha que ousou levantar o olhar e se encantou com o azul do céu e o verde da grama. E foi descobrindo a paisagem que ela viu um objeto desconhecido, mas tentador, que a fez sair da fila para desvendá-lo. Era um livro! Um livro cheio de palavras. Palavras cheias de significados. Em instantes todas as formigas do formigueiro estão desvendando o livro, e levando para casa ao invés de alimentos para o corpo, alimentos para a alma, na forma de palavras. Palavras suculentas e folhosas como a palavra FOLHA, iluminada e quente como a palavra SOL, que traziam o cheiro salgado da maresia e até algumas gaivotas como a palavras MAR. Logo o formigueiro se transformou, e quando, no início do inverno, a cigarra buscou o formigueiro para oferecer seus serviços de cantora, encontrou o lar das formigas estocado de... poesia.

O livro é lindo, de verdade! E me lembra com perfeição a fome de palavras dos pequenos leitores. Seu formato é pequenino, mas casa bem com a proposta do livro. O texto de Elaine Pasquali e as ilustrações de André Neves são deliciosos, simples e cheios de significados. É mesmo uma pérola que adoro apresentar a todos que gostam de bons livros – aqueles feitos com encantar os leitores.